
Governo Lula reintegra agente da Abin citado em caso envolvendo Flávio Bolsonaro
Servidor havia sido demitido em 2024, mas foi absolvido pela Justiça em investigação sobre suposto vazamento de dados
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu reintegrar ao quadro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) o agente Cristiano Ribeiro, afastado do cargo no início de 2024. A decisão foi oficializada nesta terça-feira (30) por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, assinada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Cristiano Ribeiro havia sido demitido após uma apuração interna da Abin apontá-lo como responsável pelo vazamento de informações que teriam embasado uma reportagem antiga sobre um suposto uso da agência para proteger o senador Flávio Bolsonaro. À época, a demissão se baseou principalmente em uma imagem de tela de computador apresentada como prova.
No entanto, durante o processo judicial, a perícia da Polícia Federal concluiu que o material não era suficiente para comprovar a autoria do vazamento. Os peritos afirmaram que não era possível assegurar que o computador mostrado na imagem pertencia, de fato, ao agente demitido. Diante disso, Cristiano Ribeiro acabou sendo inocentado, o que abriu caminho para sua readmissão.
A investigação teve início após um erro interno: uma servidora da Abin enviou, por engano, um e-mail com um documento sigiloso anexado a diversos colegas. A corregedoria passou então a analisar quem havia acessado o arquivo e, por exclusão, chegou ao nome de Ribeiro. Desde o começo, ele negou qualquer envolvimento irregular.
Com a decisão judicial favorável, o governo anulou o ato de demissão e determinou o retorno do agente ao cargo. A portaria publicada agora torna sem efeito a penalidade aplicada anteriormente.
O caso volta a chamar atenção para falhas em processos internos de apuração e para o impacto de decisões administrativas tomadas antes da conclusão definitiva das investigações.