
Governo Lula se apoia em influenciadores pagos e oposição exige transparência
União se torna principal financiadora de conteúdo político no Facebook e Instagram; contratos levantam críticas sobre propaganda disfarçada
O governo do presidente Lula (PT) tem ampliado o uso de influenciadores digitais para divulgar ações e programas federais, numa estratégia que mistura comunicação institucional e promoção política. A iniciativa, que ganhou força no segundo semestre de 2025, envolve criadores de conteúdo de perfis variados, desde humoristas a comentaristas políticos, e é parte de uma atuação voltada a diferentes públicos e regiões do país.
O investimento crescente fez da União o maior financiador de conteúdo político nas plataformas do grupo Meta, como Facebook e Instagram. Em setembro, os gastos com anúncios chegaram a R$ 8,4 milhões, um aumento de 360% em relação aos R$ 4,7 milhões registrados nos dois meses anteriores.
A expansão gerou críticas da oposição, que cobra da Secom explicações sobre critérios, valores e duração dos contratos com influenciadores. Até o momento, a pasta não detalhou essas informações, mesmo com a estratégia acontecendo paralelamente a medidas de grande apelo popular, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Entre os influenciadores pagos estão nomes voltados a temas regionais e culturais, como Paulo Victor “PV” Freitas e a atriz Isis Vieira, que destacam o cotidiano do Nordeste e Norte, além de criadores de conteúdo com perfil político progressista, que apoiam abertamente as políticas do governo.
Parte desses influenciadores mantém ligação com o Instituto Conhecimento Liberta (ICL Notícias), de linha progressista, e já participou de eventos governamentais, como Desperta 2025 – A Revolução Necessária e encontros promovidos pelo governo em Itaipu.
A estratégia segue tendência já adotada por outras instituições. Em agosto, o STF reuniu 26 criadores de conteúdo em Brasília, e em outubro, o PT promoveu o seminário PTech para aprimorar atuação digital.
Entre os influenciadores destacados estão:
- Lauany Schultz – Advogada e influenciadora com 170 mil seguidores, divulga programas como Luz para Todos e o PL 1.087/2025.
- Carolline Sardá – Publicitária catarinense que aborda direitos das mulheres e temas feministas, promove ações do Luz para Todos.
- Laura Sabino – Criadora marxista com 618 mil seguidores, colabora com movimentos sociais e defende mudanças no Imposto de Renda.
- Thiago Foltran – Produtor de conteúdo sobre políticas públicas de esquerda, divulga ações do governo e critica a direita.
- Beatris Brantes – Atriz e humorista, famosa por comentários irônicos, participa de campanhas do STF e do governo federal.
- Martina Giovanetti – Estudante de Relações Internacionais, aborda geopolítica e economia, com conteúdo favorável ao governo.
Enquanto o governo justifica o uso de influenciadores como função institucional para promover políticas públicas entre jovens, críticos alertam que a estratégia mistura comunicação institucional com propaganda política, especialmente em ano pré-eleitoral. A Secom, por sua vez, argumenta que a legislação permite campanhas de interesse público e que parte dos valores divulgados está bloqueada, negando aumento expressivo no orçamento.