
Governo Lula vibra com artigo de jornal americano que critica tarifa de Trump
Para aliados do Planalto, texto no Washington Post que chama tarifaço de “presente para Lula” reforça narrativa contra Trump e impulsiona popularidade do presidente
Nos bastidores do Planalto, o clima era quase de comemoração. Integrantes do governo Lula ficaram entusiasmados com um artigo publicado pelo The Washington Post que desmonta a ofensiva tarifária de Donald Trump contra o Brasil — e, de quebra, ainda aponta que o gesto pode acabar ajudando Lula politicamente.
O texto, assinado pelo colunista Ishaan Tharoor, tem um título direto e provocativo: “O bullying de Trump ao Brasil está saindo pela culatra”. Segundo ele, o tarifaço anunciado pelo ex-presidente dos EUA se transformou num “presente de Natal antecipado” para o atual presidente brasileiro. E não é só uma metáfora — o artigo argumenta que, diante da tentativa de Trump de intimidar o Brasil, Lula ganha terreno entre a opinião pública, que enxerga na atitude americana uma afronta à soberania nacional.
Para o colunista, as novas tarifas não apenas impulsionam a popularidade de Lula, mas ainda minam a base tradicional da oposição, afetando interesses do grande empresariado — justamente o setor que costuma bancar os adversários do petista.
Dentro do governo brasileiro, diplomatas do Itamaraty e membros do alto escalão viram na publicação uma joia estratégica: afinal, o Washington Post é lido por quem toma decisões nos Estados Unidos — ou por quem conversa com quem toma.
Desde que Trump anunciou a intenção de taxar em 50% os produtos brasileiros, o governo Lula vem articulando uma reação internacional. Ministros e o próprio presidente têm dado entrevistas e assinado artigos em veículos da imprensa americana e europeia, tentando virar o jogo da opinião pública global a favor do Brasil.
Entre críticas à retaliação de Trump e acenos à soberania nacional, o Planalto agora vê na guerra comercial uma oportunidade inesperada de reforçar sua imagem — principalmente num momento em que a eleição de 2026 já começa a se desenhar no horizonte.