
Tarcísio pede calma com os EUA, mas evita citar Lula
Sem mencionar o presidente, governador de São Paulo prega diplomacia e defende acordo urgente para conter prejuízos, especialmente para seu estado
Enquanto o Brasil se vê em meio a uma crise diplomática com os Estados Unidos — e sente no bolso o peso das retaliações comerciais — o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, decidiu se pronunciar nesta segunda-feira (21), mas preferiu dar recados indiretos. Sem citar o presidente Lula, Tarcísio fez questão de deixar claro que, segundo ele, quem representa o Brasil no cenário internacional precisa entender o jogo político e buscar “compreensão”, evitando tensões desnecessárias.
Com a economia paulista sob risco — já que São Paulo é o estado mais atingido pelas tarifas impostas pelos EUA — o governador subiu o tom, mas não o suficiente para entrar em confronto direto com o Planalto. Sua fala, embora diplomática, deixa transparecer a frustração com o impacto direto que o embate federal está causando em setores produtivos e no comércio exterior.
Para Tarcísio, é “fundamental” que o Brasil chegue logo a um entendimento com os americanos, evitando que o prejuízo se agrave ainda mais. “É preciso pacificar”, disse ele, num apelo claro por racionalidade nas relações internacionais — algo que, nas entrelinhas, denuncia a instabilidade causada pelas recentes declarações do presidente.
O governador fala por São Paulo, mas a conta quem paga é o país inteiro. E diante de um cenário onde a diplomacia virou palco de bravatas, o silêncio de Tarcísio em relação a Lula diz tanto quanto suas palavras.