
Governo Trump endurece e abre caminho para pena de morte a afegão que atacou militares em Washington
Elevação da acusação após a morte de jovem soldada reacende debate sobre segurança, terrorismo e o uso da pena capital na capital americana
O governo Trump decidiu apertar ainda mais o cerco após o ataque que deixou dois soldados da Guarda Nacional baleados a poucos metros da Casa Branca. Nesta sexta-feira (28), as autoridades americanas anunciaram que o afegão acusado de abrir fogo contra os militares poderá enfrentar pena de morte, caso seja condenado.
A procuradora Jeanine Pirro, em entrevista à “Fox News”, confirmou que o Departamento de Justiça vai transformar a acusação contra Rahmanullah Lakanwal, de 29 anos, em homicídio doloso em primeiro grau, o mais grave na legislação dos EUA. A medida veio logo depois da morte da soldada Sarah Beckstrom, de apenas 20 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu na quinta-feira (27).
O outro atingido, o soldado Andrew Wolfe, de 24 anos, permanece internado em estado crítico — assim como o próprio Lakanwal, ferido durante o confronto.
📝 Trump já havia autorizado pena de morte para homicídios em Washington
O endurecimento não começou agora. Em setembro, Trump assinou um decreto permitindo que crimes como homicídio cometido na capital federal voltem a ser punidos com pena de morte, algo que não existia havia décadas em Washington, D.C.
A decisão faz parte da intervenção federal iniciada pelo governo na segurança local — intervenção criticada pela prefeita Muriel Bowser e que chegou a ser questionada na Justiça. Ainda não está claro, porém, se a pena máxima enfrentará barreiras jurídicas no caso do afegão.
Pam Bondi, procuradora-geral dos EUA, foi direta: se os soldados morressem, buscaria a pena de morte. Agora, com o falecimento de Beckstrom, diz que Lakanwal deverá enfrentar também acusações de terrorismo, que já preveem prisão perpétua mínima.
🔍 FBI e CIA investigam elo do suspeito com grupos no exterior
O diretor do FBI, Kash Patel, confirmou que o caso é tratado como uma possível investigação internacional de terrorismo. Agentes já cumpriram mandados de busca, vasculharam a residência do suspeito e interrogaram todos que estavam no local.
Outro detalhe chamou atenção: segundo o diretor da CIA, John Ratcliffe, Lakanwal trabalhou anteriormente com forças parceiras dos EUA em Kandahar, no Afeganistão — algo que agora será investigado a fundo para entender possíveis vínculos e motivações.
🪖 Quem era a soldada morta
Em entrevista, Bondi destacou que Sarah Beckstrom estava de serviço como voluntária durante o feriado de Ação de Graças, para que outros colegas pudessem ficar com suas famílias.
“Enquanto ela permitia que outras pessoas estivessem em casa com quem amam, sua própria família passou o feriado ao lado de uma cama de hospital”, disse a procuradora.
🔫 Como o ataque aconteceu
Na quarta-feira (26), dois integrantes da Guarda Nacional patrulhavam a região próxima à Casa Branca quando foram surpreendidos pelos disparos. A área foi imediatamente isolada, e a sede do governo entrou em lockdown.
Trump, que estava na Flórida, reagiu nas redes sociais chamando o atirador de “animal” e prometendo que ele “pagará um preço muito alto”.
O ataque ocorre em meio à mobilização de mais de 2 mil soldados da Guarda Nacional enviados à capital desde agosto, após Trump decretar “emergência criminal” e assumir o controle federal da polícia local — uma medida considerada “alarmante e sem precedentes” pela prefeita Bowser.
🛡️ O papel da Guarda Nacional no entorno da Casa Branca
A segurança interna da Casa Branca é responsabilidade do Serviço Secreto. A Guarda Nacional não faz parte da proteção direta do presidente.
Com a intervenção federal, porém, passou a ocupar pontos estratégicos ao redor da área — e era justamente uma dessas patrulhas que foi atacada.
As investigações seguem para esclarecer motivação, conexões e eventuais cúmplices do atirador.