Greta desembarca em Belém: a “influencer do clima” chega causando trânsito, like político e confusão na COP30
Com direito a marcha, bloqueios e muita performance ambiental, a visita da ativista sueca promete esquentar um fim de semana já tenso na COP.
Greta Thunberg chegou a Belém como quem chega para um grande evento: celular na mão, holofotes garantidos e uma marcha marcada para este sábado (15) que já promete virar o trânsito de cabeça para baixo nos arredores da COP30. A ativista — que virou uma espécie de “popstar da indignação climática” nas redes — deve atrair uma multidão de movimentos sociais, coletivos indígenas e ONGs que buscam pressionar os negociadores por compromissos mais fortes para a justiça climática.
A expectativa de caos é tão grande que a própria UNFCCC aconselhou delegados a chegarem antes das 9h, caso não queiram virar figurantes de fundo em vídeos de protesto e reels de militância.
A véspera já tinha sido quente: indígenas Munduruku fecharam o acesso principal da Blue Zone, ergueram faixas cobrando respeito ao território e interromperam a entrada das delegações durante horas. O fluxo só voltou ao normal depois de muita conversa — e de algumas caras fechadas de diplomatas atrasados.
Negociações tentam avançar enquanto a rua grita
Passado o bloqueio, a COP retomou o ritmo, mergulhando em discussões sobre energia limpa, indústria verde e novos modelos de financiamento. O governo brasileiro puxou o dia com o Compromisso Belém 4X, que pretende quadruplicar combustíveis sustentáveis até 2035, além de lançar um plano para aproximar governos, empresas e fundos internacionais do setor.
Também foi apresentada a Declaração de Belém para a Industrialização Verde Global, defendendo que o Sul Global tenha papel central na transformação das cadeias produtivas e no acesso a tecnologia — algo sempre pedido, raramente cumprido.
Outro debate espinhoso voltou ao palco: como acelerar a transição longe dos combustíveis fósseis sem quebrar países dependentes de petróleo e sem deixar nações vulneráveis afundarem ainda mais na crise climática.
À tarde, o setor marítimo também ganhou espaço, discutindo o futuro energético do transporte oceânico, enquanto ministros analisaram gargalos nas redes elétricas e em sistemas de armazenamento — dois pontos críticos para qualquer expansão de energia renovável.
Foram anunciados novos compromissos multilaterais e até criado um Conselho Global de Implementação de Redes e Armazenamento, porque na COP sempre cabe mais uma sigla, mais um conselho e mais uma promessa de futuro sustentável.
Duas COPs, um só palco
O clima do dia deixou claro que Belém virou o epicentro de duas COPs simultâneas:
- a oficial, de documentos, mesas de alto nível, discursos técnicos e metas adiadas;
- e a das ruas, onde Greta, povos indígenas e movimentos sociais lembram diariamente que o planeta não vai esperar os acordos ficarem prontos.
Com a marcha deste sábado, a pressão só deve aumentar.
E se depender do barulho — nas ruas e nos stories — a COP30 está prestes a descobrir que, em Belém, até o clima protesta.