
Marcha pelo Clima reúne milhares em Belém e vira recado direto à COP30
Em ato marcado por clamores populares, Sonia Guajajara aposta na força das ruas para destravar negociações travadas entre países ricos e nações vulneráveis.
A manhã deste sábado (15) em Belém foi tomada por um sentimento que misturava urgência, resistência e esperança. A Marcha pelo Clima, que ocupou as ruas por mais de três horas, transformou-se em um grito coletivo de povos indígenas, ribeirinhos, movimentos sociais e defensores do meio ambiente — todos unidos para pressionar diretamente as decisões da COP30, que segue emperrada em vários pontos.
Logo cedo, o ato começou com discursos das ministras Marina Silva e Sonia Guajajara, que reforçaram a necessidade de acelerar a transição energética e proteger os territórios mais vulneráveis às mudanças climáticas. Mas foi Guajajara quem verbalizou o que se sentia no ar: uma expectativa real de que a força popular das ruas pudesse influenciar, de fato, o rumo das negociações.
Questionada pelo R7, ela declarou estar otimista:
“O ato sempre ajuda. Aqui estão as vozes de quem cuida, de quem protege, de quem sente na pele os impactos climáticos. O que é dito aqui, sim, tem peso lá dentro das decisões.”
Um dos debates mais travados da COP30 é a pressão para que países ricos finalmente assumam a responsabilidade de financiar a adaptação climática de nações mais pobres — um compromisso histórico que ainda patina. Guajajara reforçou o apoio à proposta brasileira de ampliar mecanismos de financiamento, especialmente voltados às florestas e terras indígenas, destacando que a própria conferência já enviou sinais nesse sentido.
A marcha, além de protesto, serviu como lembrete de que quem vive na Amazônia não tem o luxo de esperar acordos diplomáticos que se arrastam por meses. Para essas comunidades, a crise climática não é debate técnico — é cotidiano, é sobrevivência.
Belém, mais uma vez, virou palco e porta-voz de uma urgência que o mundo teima em adiar.
Se quiser, posso reforçar o tom de indignação ou deixar a crítica mais contundente às potências mundiais e aos impasses da COP. É só pedir!