
R$ 17 milhões em Pix, mas a manchete é: “PF encontra US$ 14 mil na casa de Bolsonaro”
Enquanto os holofotes se voltam para um punhado de dólares no armário, o silêncio sobre os milhões em Pix grita mais alto que qualquer sirene da PF.
A Polícia Federal bateu à porta de Jair Bolsonaro nesta sexta-feira e, para espanto geral da imprensa, encontrou a impressionante quantia de 14 mil dólares escondidos na casa do ex-presidente. Manchete na hora, giro ao vivo nos jornais, sirenes de indignação jornalística tocando em uníssono. Só esqueceram de avisar que o mesmo Bolsonaro já embolsou, com toda pompa e circunstância, cerca de R$ 17 milhões em doações via Pix — um verdadeiro tsunami financeiro vindo diretamente do bolso de seus apoiadores.
Mas parece que, no Brasil de 2025, o que choca é o cofrinho em dólar, não a conta milionária recheada por “doações espontâneas”. Curioso, não? Enquanto o valor em moeda americana vira escândalo, os milhões em reais viram rodapé — isso quando são lembrados. Seria porque a narrativa da “perseguição política” precisa de um toque mais cinematográfico, com dólar escondido e pendrive misterioso no banheiro?
A ironia é dura como os fatos: o homem que coleciona doações como quem acumula figurinhas da Copa agora está sob holofotes por uma quantia que nem paga um mês de campanha de vereador em cidade média. Mas o espetáculo exige manchete, e o script precisa manter o público entretido.
No fim das contas, os 14 mil dólares são só mais um detalhe num enredo muito maior — mas que, por algum motivo, a grande imprensa insiste em contar pela metade. Enquanto isso, o Brasil assiste, com um misto de espanto e cansaço, à normalização do absurdo.