
Gritos de “sem anistia” marcam desfile de 7 de Setembro com Lula em Brasília
Presidente participa da cerimônia cercada por ministros; público cobra punição a golpistas e reforça defesa da soberania nacional
O tradicional desfile de 7 de Setembro, neste domingo em Brasília, não foi apenas uma celebração da Independência. Entre o colorido das bandeiras e o som das bandas militares, ecoaram palavras de ordem como “sem anistia” e “soberania não se negocia”, dirigidas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às autoridades presentes na Esplanada dos Ministérios.
De acordo com a Secretaria de Comunicação do governo, cerca de 45 mil pessoas acompanharam a cerimônia. Lula e a primeira-dama, Janja, chegaram em carro aberto, o Rolls-Royce presidencial, repetindo a tradição dos eventos oficiais. Foram recebidos pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e pelos comandantes das Forças Armadas.
O desfile aconteceu em meio a um cenário político e diplomático conturbado: o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe e a recente crise com os Estados Unidos, alimentada pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.
Diante desse pano de fundo, a palavra de ordem escolhida para a cerimônia foi “soberania”. Bonés e faixas distribuídos aos presentes carregavam o lema “Brasil Soberano”, reforçando o tom político do ato.
Na véspera, em pronunciamento em rede nacional, Lula já havia enfatizado a importância da união nacional e da defesa da democracia. A festa cívica durou cerca de duas horas, com a participação das Forças Armadas, escolas públicas, forças de segurança e o tradicional espetáculo aéreo da Esquadrilha da Fumaça.
Antes de deixar a tribuna, Lula desceu para cumprimentar populares que acompanhavam o evento de perto. Estiveram ao seu lado o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros de Estado e autoridades do Legislativo. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não compareceram.
O clima do 7 de Setembro deste ano deixou claro: mais do que comemorar a Independência, o público quis reafirmar que democracia e soberania não são moedas de troca.