Haddad aceita convite de Lula e confirma candidatura ao governo de São Paulo

Haddad aceita convite de Lula e confirma candidatura ao governo de São Paulo

Após meses de indefinição, ministro da Fazenda diz “sim” ao presidente e assume missão do PT para enfrentar Tarcísio em 2026

Depois de meses de conversas reservadas, idas e vindas e resistência pública, a indefinição chegou ao fim: Fernando Haddad aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será o candidato do PT ao governo de São Paulo nas eleições de 2026.

A decisão foi comunicada em uma conversa direta entre os dois, na noite de quarta-feira, no Palácio do Planalto. Haddad, que até então evitava o embate e dizia preferir atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula, finalmente disse “sim” ao apelo do presidente.

Desde dezembro de 2025, Lula vinha insistindo na candidatura do ministro. Foram várias reuniões, inclusive durante a recente viagem presidencial à Ásia, nas quais o tema voltou repetidamente à mesa. No PT, a avaliação sempre foi a mesma: Haddad é visto como o único nome capaz de dar musculatura política à disputa paulista contra o atual governador Tarcísio de Freitas.

Apesar da pressão interna, Haddad sustentou por meses que seu foco seria exclusivamente a campanha nacional, ajudando Lula na tentativa de reeleição. Em entrevistas, deixou claro mais de uma vez que não pretendia deixar o comando da Fazenda para entrar novamente em uma disputa estadual. No partido, porém, esse discurso nunca foi plenamente aceito.

Entre dirigentes petistas, a candidatura de Haddad sempre foi tratada como uma “missão”. A leitura é que São Paulo, maior colégio eleitoral do país, precisa de um palanque forte e competitivo, sobretudo em um momento em que o governo federal enfrenta maior desgaste político.

O aval definitivo de Haddad ocorre em um cenário delicado para Lula. Pesquisas recentes indicam crescimento de Flávio Bolsonaro, lançado pelo pai como principal nome da direita, o que aumentou a pressão por estratégias eleitorais mais agressivas nos estados-chave.

Na disputa paulista, Haddad entra como azarão. Nos bastidores, ninguém esconde que o favoritismo inicial é de Tarcísio. Ainda assim, o PT aposta em uma campanha nacionalizada e fortemente ancorada na imagem de Lula para tentar reduzir a vantagem do atual governador.

Uma das principais cartas do Planalto será colocar Geraldo Alckmin — que deve repetir a dobradinha como vice de Lula — para percorrer o interior paulista. Ex-governador e figura com trânsito em setores mais conservadores, Alckmin é visto como peça-chave para diminuir a resistência ao PT fora da capital e da região metropolitana.

Com a decisão tomada, o tabuleiro eleitoral de São Paulo começa, enfim, a se mover de forma mais clara. Para Haddad, o desafio será duplo: deixar a Fazenda em um momento sensível da economia e enfrentar um adversário bem posicionado. Para Lula, a aposta é alta — mas considerada indispensável para manter São Paulo no centro da estratégia nacional de 2026.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags