Haddad bate na tecla: “Quem mora na cobertura precisa pagar o condomínio”

Haddad bate na tecla: “Quem mora na cobertura precisa pagar o condomínio”

Ministro reafirma que IOF é prerrogativa de Lula e insiste em taxar super-ricos, apostas online e fintechs para não pesar nas costas dos mais pobres

Em meio à queda de braço entre o Planalto e o Congresso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou nesta quinta-feira (10) que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é de competência exclusiva do presidente da República. Segundo ele, há jurisprudência que confirma esse entendimento, assim como acontece com outros tributos federais, como o IPI e os impostos de importação e exportação.

“Já existem várias decisões reconhecendo que essa definição cabe apenas ao presidente. Isso está sendo dito nas conversas que mantemos com o Congresso”, explicou Haddad durante entrevista ao canal Barão de Itararé.

Negociar, sim. Abrir mão, não.

Apesar da postura firme, Haddad garantiu que o governo segue aberto ao diálogo com os parlamentares. Lembrou que diversas pautas importantes já foram aprovadas durante os dois anos e meio do governo Lula, como a tributação de fundos exclusivos, a taxação de recursos no exterior e a reforma tributária.

“Vamos continuar negociando porque isso é bom para o Brasil, não apenas para o presidente Lula. Precisamos construir o orçamento de 2026 com responsabilidade”, afirmou.

Quem ganha mais, paga mais

Haddad voltou a defender que os super-ricos paguem sua parte justa no esforço fiscal. Ele citou a proposta de reforma do Imposto de Renda, que pretende isentar quem ganha até R$ 5 mil por mês e aumentar a carga para quem recebe mais de R$ 50 mil — os chamados “moradores da cobertura”.

Também reforçou a urgência de tributar casas de apostas online e fintechs, que, segundo ele, faturam alto e enviam boa parte dos lucros para o exterior, sem contribuir proporcionalmente com a arrecadação.

“Se super-rico, bet e fintech não puderem pagar imposto, aí vai ficar difícil equilibrar as contas mexendo no salário mínimo ou no Bolsa Família. Nosso foco é quem está no topo e não colabora. Chegou a hora de ele pagar o condomínio”, disse o ministro.

A declaração de Haddad é um recado direto: quem tem mais, deve contribuir mais

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