
Hamas chama ataque de 7 de outubro de “resposta histórica” e condiciona cessar-fogo a retirada de tropas
Dois anos após o ataque que matou cerca de 1.200 israelenses e levou 250 reféns, grupo palestino negocia com Israel plano de paz proposto por Trump
Nesta terça-feira (7), o Hamas qualificou o ataque de 7 de outubro de 2023 como uma “resposta histórica” a Israel, completando dois anos desde o episódio que deixou cerca de 1.200 mortos e 250 pessoas levadas como reféns para Gaza. Ao mesmo tempo, o grupo palestino deixou claro que só avançará nas negociações de paz sob certas condições, enquanto delegações de Israel e Hamas discutem no Egito a proposta de 20 pontos apresentada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Em pronunciamento transmitido pela TV, Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas, disse que o grupo busca um acordo para encerrar a guerra, mas condiciona a adesão a exigências como:
- Estabelecimento de um cessar-fogo permanente;
- Retirada completa das tropas israelenses da Faixa de Gaza;
- Garantia de acesso irrestrito à ajuda humanitária;
- Retorno seguro dos deslocados às suas casas;
- Início imediato de um processo de reconstrução supervisionado por tecnocratas palestinos;
- Troca justa de prisioneiros entre as partes.
Barhoum não detalhou o que considera uma “troca justa” de prisioneiros, mas enfatizou que as negociações devem atender “às aspirações do povo em Gaza”. Israel, por sua vez, insiste no desarmamento do Hamas, rejeitado pelo grupo, tornando o processo de negociação indireta, conduzido no Egito, longo e complicado.
O porta-voz ainda acusou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de tentar obstruir a rodada atual de negociações, assim como teria feito com tentativas anteriores. “Nossa delegação está trabalhando para superar todos os obstáculos e avançar para um acordo”, disse Barhoum.
O ataque de 7 de outubro de 2023 marcou o início da atual guerra em Gaza. Na ocasião, o Hamas invadiu o sul de Israel, matou centenas de civis e levou centenas de reféns. Até hoje, 48 deles permanecem sob custódia do grupo, com 20 vivos e o restante mortos, segundo Israel.
Enquanto o Hamas reafirma que sua ofensiva foi uma reação histórica à ocupação de territórios palestinos, Israel segue homenageando as vítimas e reforçando o repúdio internacional ao ataque. Autoridades e civis israelenses realizaram atos em memória das vítimas em diversas regiões do país.
O conflito permanece grave: desde seu início, mais de 67 mil palestinos foram mortos e quase 170 mil ficaram feridos, de acordo com dados do Ministério da Saúde de Gaza, sob controle do Hamas, confirmados pela ONU.
O plano de paz de Trump prevê Gaza como uma zona livre de grupos armados, com libertação de reféns em até 72 horas após a aceitação pública do acordo, e a criação de um conselho de governança com tecnocratas palestinos e supervisão internacional, presidida por Trump. Israel se compromete a liberar quase 2 mil prisioneiros palestinos, enquanto a ONU e o Crescente Vermelho cuidariam da distribuição de ajuda humanitária.
Apesar de receber apoio internacional, a proposta enfrenta resistência de Israel em pontos como a criação de um Estado palestino e o cronograma de retirada das tropas. Especialistas afirmam que o processo atual é apenas o início de negociações para um cessar-fogo, não o fim da guerra.
Trump avisou que, se o Hamas rejeitar o acordo, o grupo enfrentará “inferno total”, e que apoiará Israel em ações militares contra o Hamas. Netanyahu sinalizou que a ofensiva em Gaza continuará caso não haja acordo.
O conflito segue sem previsão de término, com tensões elevadas e diplomacia internacional tentando evitar mais mortes e destruição.