Hugo Motta barra comissões no recesso e enfrenta críticas da oposição

Hugo Motta barra comissões no recesso e enfrenta críticas da oposição

Presidente da Câmara diz que decisões fora do calendário oficial ferem a democracia; PL acusa manobra e tenta manter agenda pró-Bolsonaro

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, resolveu dar um freio nas atividades das comissões parlamentares durante o recesso legislativo — e a decisão não agradou nada ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. A legenda acusou Motta de agir fora do regimento e viu na suspensão das comissões uma forma de atrapalhar suas articulações políticas.

A bronca do PL veio porque a sigla queria manter reuniões durante o recesso como forma de sinalizar apoio a Bolsonaro, que segue enfrentando medidas judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Diante das críticas, Hugo Motta se posicionou e explicou que manter as comissões funcionando durante o recesso prejudica a participação democrática dos demais parlamentares, já que muitos estão ausentes nesse período. Segundo ele, qualquer convocação fora do calendário oficial limita o debate plural e a representação da diversidade política do país.

“A Câmara é a casa do povo. Precisamos garantir que todos os parlamentares possam participar dos trabalhos, especialmente nas comissões, que são espaços fundamentais de discussão. Se parte dos deputados está de recesso, não é justo forçar o andamento de pautas importantes de forma desigual”, afirmou Motta ao blog.

Mas o PL não engoliu bem o argumento. O deputado Sóstenes Cavalcante, líder da bancada, acusou Motta de descumprir o regimento interno e ressaltou que, como ele está em viagem, quem deveria assumir decisões era o deputado Elmar Nascimento, o terceiro na linha de sucessão da presidência da Casa. “Essa decisão é irregular e deve ser revista”, disparou Sóstenes.

Nos bastidores, a interpretação é que a oposição quer manter acesa a chama do bolsonarismo durante o recesso, promovendo sessões e debates em torno da narrativa de que o ex-presidente está sendo perseguido. A tentativa é manter a militância mobilizada mesmo com o Congresso em pausa.

Apesar disso, a maioria dos líderes na Câmara defende que as regras do recesso sejam respeitadas, inclusive como forma de preservar a estabilidade institucional. A expectativa é que, com a volta dos trabalhos em agosto, a oposição insista na votação de um projeto que tenta anistiar os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 — pauta que promete elevar ainda mais a temperatura política em Brasília.

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