
Hugo Motta chama líderes para fechar a lista de prioridades da Câmara em ano de eleição
Com o tempo apertado e o calendário encurtado, presidente da Câmara reúne bancadas para organizar a pauta do primeiro semestre
Com o calendário do Congresso cada vez mais apertado por causa do ano eleitoral, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu reunir os líderes de bancada nesta quarta-feira, dia 28, para alinhar o que deve entrar como prioridade na pauta da Casa durante o primeiro semestre.
O encontro está marcado para acontecer na residência oficial da presidência da Câmara e tem um objetivo bem direto: definir o que realmente vai avançar no plenário num período em que o tempo é curto e as disputas políticas ficam ainda mais intensas.
A reunião ocorre seis dias antes da retomada oficial dos trabalhos legislativos, prevista para 2 de fevereiro, quando deputados voltam ao ritmo normal após o recesso.
Entre os assuntos que Hugo Motta já apontou como foco principal estão temas ligados à segurança pública, especialmente o projeto conhecido como PL Antifacção, além da ratificação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que também aparece como uma das prioridades.
Do lado da oposição, a expectativa é que o grupo leve ao encontro um pacote de exigências, incluindo a pressão pela instalação da CPI do Banco Master, que vem sendo cobrada por parlamentares contrários ao governo.
Além disso, a oposição também deve pedir que Motta interceda junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para destravar temas considerados estratégicos para o grupo. Entre eles está a tentativa de derrubar o veto do presidente Lula (PT) a um projeto que trata da dosimetria das penas — uma medida que, na prática, poderia reduzir condenações aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros investigados e réus ligados à trama golpista.
Já o PT, por sua vez, deve usar a reunião para defender o avanço de propostas alinhadas ao governo. Uma delas é a PEC que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1, além de outras pautas do Executivo, como a votação da medida provisória do Gás, que tem prazo de validade e pode perder efeito já em 11 de fevereiro.
No fim das contas, o encontro desta quarta deve funcionar como um “acerto de contas” político: cada lado chegando com suas prioridades e tentando garantir espaço numa pauta que, por causa do ano eleitoral, tende a ser disputada voto por voto.