Hugo Motta e a arte de elogiar Lula enquanto a direita se enrola

Hugo Motta e a arte de elogiar Lula enquanto a direita se enrola

Presidente da Câmara celebra força da esquerda em 2026 e aponta confusão entre presidenciáveis de direita

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), resolveu abrir o coração nesta segunda-feira (22/9) e, sem pudores, disse que o presidente Lula chega em 2026 com tudo, enquanto a direita parece perdida em meio a suas próprias opções.

“Olha, analisando com franqueza, a esquerda está unida em torno do presidente Lula e sua possível reeleição. Está tudo muito bem organizado, e ele ainda consegue puxar a discussão internacional para o seu lado, reforçando a soberania do país”, comentou Motta, durante a conferência Macro Day, em São Paulo.

Segundo ele, o governo Lula reposicionou o discurso, trocando o velho “União e Reconstrução” pelo mais direto “Do lado do povo brasileiro”, o que, na avaliação do parlamentar, contribuiu para melhorar a popularidade diante de crises como o tarifaço de 50% imposto pelos EUA, a cassação de vistos de autoridades e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e familiares.

Quando o assunto é a direita, Motta não poupa críticas: “Eles estão desorganizados. Não se sabe o que Bolsonaro vai fazer, quem vai apoiar, e cada um está jogando para o seu lado.” Para ilustrar a confusão, citou governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO) como exemplos da pulverização de nomes do campo conservador.

Mesmo com ironia, o deputado prevê que as eleições de 2026 vão repetir a polarização de 2022. E alerta que o eleitor cansou da velha disputa esquerda-direita, abrindo espaço para quem souber se comunicar e entregar resultados concretos.

Sobre o próprio futuro político, Motta fez questão de lembrar que é “homem de partido” e que aguarda a decisão do Republicanos. Afinal, segundo ele, expor suas preferências agora seria prejudicial à própria função de presidente da Câmara.

Em suma, Motta admite, com uma pontinha de ironia, que a esquerda caminha junta e forte, enquanto ele mesmo, eleito com apoio da direita, agora se vê observando a situação com uma mistura de prudência e reconhecimento do peso de Lula no cenário eleitoral.

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