
Impeachment aprovado: Augusto Melo perde presidência do Corinthians após escândalo VaideBet
Em Assembleia Geral, sócios confirmaram a destituição do dirigente, que fica inelegível por dez anos; crise foi marcada por polêmicas, tentativas de retorno e protestos de torcedores
O clima no Parque São Jorge neste sábado (9) foi de decisão e tensão. Em Assembleia Geral, os sócios do Corinthians aprovaram, por 1.413 votos a 620, o impeachment de Augusto Melo, afastado da presidência desde maio por envolvimento no caso VaideBet. Com a decisão, ele está definitivamente fora do comando do clube, inelegível pelos próximos dez anos e ainda sujeito a um processo disciplinar que pode resultar em sua expulsão do quadro associativo.
A votação, que reuniu 2.037 associados, selou o fim de uma gestão marcada por denúncias, investigações e tentativas frustradas de reaver o cargo. Desde o afastamento, quem vinha conduzindo o Corinthians era o vice-presidente Osmar Stabile, que seguirá interinamente até que seja realizada a eleição indireta pelo Conselho Deliberativo.
Um dia de tensão no Parque São Jorge
Do lado de fora, a atmosfera era de protesto. Torcedores penduraram faixas contra o ex-presidente e chegaram a discutir com uma sócia que defendia Augusto Melo. Para completar, um trio elétrico causou polêmica ao tocar o hino do Palmeiras, gerando confusão e até arremesso de pedras, antes de deixar o local sob vaias.
Como começou a queda
O impeachment teve origem no escândalo envolvendo a casa de apostas VaideBet, antiga patrocinadora máster do Corinthians. Augusto Melo foi acusado de ter envolvimento em irregularidades na intermediação do contrato, o que levou à perda do patrocínio e à saída de dirigentes. Pouco antes da votação no Conselho Deliberativo, ele foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de lavagem de dinheiro, furto qualificado e associação criminosa.
O relatório da Comissão de Justiça do clube apontou ainda outras situações problemáticas na gestão, como negociações questionáveis com empresas parceiras, omissão em casos internos e até um episódio em que o então presidente agrediu um torcedor adversário, manchando a imagem do clube.
Tentativas de retorno e resistência judicial
Mesmo afastado, Augusto tentou reassumir a presidência em maio, com apoio de aliados e amparado por um documento que não foi reconhecido pela direção interina. Chegou a entrar na Justiça para anular a decisão do Conselho e o próprio indiciamento, mas todas as liminares foram negadas.
Com o impeachment agora confirmado, o próximo passo será a escolha, por votação indireta no Conselho, de quem comandará o clube até o fim de 2026. Osmar Stabile já é cotado como candidato para o mandato-tampão.