
Indiciamento vira arma política: mais um deputado da direita na mira do sistema
Gustavo Gayer nega irregularidades, fala em perseguição comandada por Alexandre de Moraes e recebe apoio de parlamentares do PL
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) foi indiciado pela Polícia Federal nesta quinta-feira (11/12) em um caso que, para ele e seus aliados, tem menos de investigação técnica e mais de perseguição política. A apuração aponta suspeitas de associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documentos e peculato-desvio envolvendo o uso de cota parlamentar. Gayer rejeita todas as acusações e afirma ser alvo direto do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, o suposto esquema teria como finalidade desviar recursos por meio de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que teria sido criada com documentação falsa. De acordo com os investigadores, o quadro social da entidade incluiria até crianças de nove anos — um detalhe que chama atenção, mas que o deputado diz desconhecer completamente.
O indiciamento é consequência de uma operação deflagrada em 2024, batizada de “Discalculia”. Na época, Gayer e assessores foram alvo de mandados de busca e apreensão, e mais de R$ 70 mil foram encontrados com um funcionário do gabinete. Mesmo assim, o parlamentar sustenta que nunca utilizou emendas parlamentares para esse tipo de finalidade e afirma que sequer faz uso desse mecanismo há anos.
Nas redes sociais, Gayer reagiu com ironia. Em tom de deboche, escreveu que “Moraes descobriu sua associação criminosa”, deixando claro que, para ele, a investigação tem motivação política. O deputado chega a chamar a Polícia Federal de “PF do Moraes”, comparando a atuação do órgão a práticas de polícia política.
Em declarações públicas, Gayer afirma que está sendo atacado por ser um nome forte da direita em Goiás e por suas posições firmes contra o sistema. Ele também diz não ter tido acesso integral ao teor do indiciamento e classifica as acusações como absurdas, incluindo a alegação de que teria financiado atos do 8 de Janeiro — algo que ele nega veementemente.
Parlamentares do PL, como Nikolas Ferreira, Júlia Zanatta e Carlos Jordy, saíram em defesa de Gayer. Nos comentários e manifestações públicas, eles apontam o caso como mais um capítulo de uma escalada de repressão contra políticos conservadores, enquanto outros setores parecem intocáveis.
Para apoiadores do deputado, o episódio reforça a sensação de dois pesos e duas medidas: investigações aceleradas, exposição midiática e punições exemplares quando o alvo é da direita. Já para Gayer, o recado é claro — não se trata apenas de um processo, mas de uma tentativa de silenciar adversários políticos por meio do Judiciário.