
Irã mantém diálogo com os EUA enquanto Trump analisa reação à repressão aos protestos
Manifestações desafiam o regime clerical e se tornam a maior crise interna desde a Revolução Islâmica
O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (12) que os canais de comunicação com os Estados Unidos continuam abertos, ao mesmo tempo em que o presidente norte-americano, Donald Trump, avalia quais medidas poderá adotar diante da repressão violenta contra protestos que se espalham pelo país.
As manifestações representam um dos maiores desafios enfrentados pelo regime clerical iraniano desde a Revolução Islâmica de 1979. O que começou como insatisfação com a grave crise econômica rapidamente se transformou em atos que pedem abertamente o fim do sistema político liderado pelos aiatolás.
Donald Trump declarou no domingo (11) que os Estados Unidos estão dispostos a dialogar com autoridades iranianas, mas ressaltou que acompanha de perto a violência empregada contra os manifestantes. O presidente afirmou ainda manter contato com grupos de oposição e não descartou ações mais duras caso a repressão continue.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, há troca constante de mensagens entre o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff. Ele acrescentou que a mediação da Suíça também segue ativa como canal diplomático tradicional entre os dois países.
Apesar de afirmar que não abandona a mesa de negociações, o governo iraniano criticou o que chamou de sinais contraditórios vindos de Washington, alegando falta de clareza e confiança nas intenções dos EUA. Ainda assim, Araqchi reiterou que o Irã está preparado tanto para o diálogo quanto para um eventual confronto.
Organizações de direitos humanos relatam números alarmantes desde o início dos protestos, em 28 de dezembro. De acordo com a HRANA, ao menos 490 manifestantes e 48 agentes de segurança morreram, além de mais de 10,6 mil pessoas presas. O governo iraniano não divulga dados oficiais, e a verificação independente é dificultada pelo bloqueio da internet no país.
Trump afirmou recentemente que o Irã procurou os EUA para tratar de seu programa nuclear, tema sensível após confrontos militares ocorridos meses antes. Segundo o presidente, reuniões estão sendo consideradas, mas decisões podem ser tomadas antes disso, dependendo da evolução da crise interna iraniana.
Autoridades americanas informaram que Trump se reunirá com seus principais conselheiros para discutir possíveis respostas, que incluem desde novas sanções e ações cibernéticas até opções militares e apoio indireto à oposição.
A escalada da crise coloca o Irã novamente no centro das tensões internacionais, enquanto a pressão interna cresce e o regime enfrenta um cenário de instabilidade sem precedentes nas últimas décadas.