Janja anuncia ajuda à Faixa de Gaza — e Lula aproveita a tragédia para fazer discurso de campanha disfarçado

Janja anuncia ajuda à Faixa de Gaza — e Lula aproveita a tragédia para fazer discurso de campanha disfarçado

Depois de anos criticando o envio de recursos ao exterior, o governo agora tenta posar de herói humanitário — bem na temporada eleitoral

Em um gesto que soa mais político do que solidário, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, anunciou que o Brasil vai enviar alimentos, remédios e outros itens básicos à Faixa de Gaza. A declaração foi feita em Roma, durante o encerramento do Fórum Mundial da Alimentação, na sede da FAO, e, como não poderia deixar de ser, soou mais como palco de autopromoção do governo do que como ação humanitária genuína.

Segundo Janja, o presidente Lula “determinou” o envio da ajuda para os palestinos que tentam reconstruir suas vidas após anos de destruição. O discurso, repleto de apelos à solidariedade global e críticas aos países ricos, foi recebido com aplausos protocolares — mas também com olhares céticos de quem percebe o tom de campanha embutido em cada palavra.

Curioso é que o mesmo governo que, no passado, gastava saliva para atacar ações internacionais de solidariedade — taxando-as de “intervenção política disfarçada” — agora tenta vestir a fantasia de salvador do mundo. É um clássico: quando a popularidade despenca e a eleição se aproxima, o discurso muda como o vento.

“Eles precisam mais do que solidariedade, precisam de apoio material e político”, disse Janja, em tom grave, citando o sofrimento palestino e as consequências das mudanças climáticas. Palavras bonitas, sem dúvida — mas que soam vazias quando vindas de um governo que mal consegue garantir comida na mesa de milhões de brasileiros.

Enquanto critica as potências mundiais por não cumprirem promessas de ajuda, o Planalto tenta, na prática, colher dividendos eleitorais de uma tragédia alheia. Afinal, o momento político exige gestos “nobres” e manchetes positivas — e nada melhor do que um discurso humanitário em solo europeu para isso.

O envio de ajuda à Faixa de Gaza é importante, sim. Mas o oportunismo travestido de empatia é o que mais chama atenção. O governo que passou anos pregando contra o “assistencialismo” agora se exibe como defensor dos pobres e famintos — desde que o holofote esteja aceso e o microfone à disposição.

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