
Janja reage a Flávio Bolsonaro e cita episódios envolvendo família Bolsonaro
Primeira-dama publicou vídeo após críticas de Flávio a declaração de Lula e citou falas e episódios envolvendo o candidato, Jair Bolsonaro e seu vice; acusações contestadas são apresentadas como alegações
A primeira-dama Janja Lula da Silva publicou um vídeo nas redes sociais em que rebateu críticas feitas pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na gravação, Janja afirmou que Flávio estaria tentando atribuir a Lula um “rótulo” que, segundo ela, deveria ser associado à família Bolsonaro.
A reação ocorreu depois da repercussão de uma declaração de Lula sobre exames preventivos. Durante um evento, o presidente afirmou que “as mulheres aprendem a tomar toque desde quando são pequenas”, ao fazer uma comparação entre exames preventivos femininos e o exame de próstata.
A fala foi interpretada por adversários como inadequada e utilizada politicamente contra o presidente. A defesa de Lula sustentou que ele se referia aos exames ginecológicos preventivos realizados pelas mulheres.
Flávio Bolsonaro criticou a declaração e afirmou que mulheres deveriam ser protegidas e crianças cuidadas. Em resposta, Janja acusou a campanha do candidato de retirar a fala de Lula de contexto.
Janja cita Jair Bolsonaro e a expressão “pintou um clima”
No vídeo, Janja também recuperou uma declaração de Jair Bolsonaro feita em 2022, quando o então presidente relatou um episódio envolvendo adolescentes venezuelanas e utilizou a expressão “pintou um clima”.
A primeira-dama estabeleceu uma comparação entre essa declaração e a controvérsia envolvendo a fala de Lula. O episódio de 2022 já havia sido objeto de ampla discussão pública e política.
Janja utilizou o caso para sustentar sua crítica à família Bolsonaro e afirmou que o grupo político estaria tentando criar uma associação entre Lula e comportamentos que ela atribui aos adversários.
Vice de Flávio também é citado
Outro nome mencionado por Janja foi Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.
A primeira-dama citou uma acusação apresentada anteriormente contra Gaspar relacionada a uma adolescente de 13 anos. O caso, porém, precisa ser tratado com cautela: Gaspar nega a acusação, e a notícia-crime apresentada contra ele não havia sido acompanhada, segundo o Poder360, de provas materiais que sustentassem a imputação. Ele chegou a colocar seu material genético à disposição das autoridades para eventual exame de DNA.
Além disso, o episódio já teve repercussão na Justiça Eleitoral. Em agosto, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de um vídeo do PT que associava Gaspar à acusação, considerando que a publicação apresentava caráter acusatório sem suporte fático mínimo para a imputação.
Caso envolvendo a defesa de Flávio
Janja também mencionou a atuação de Flávio Bolsonaro como advogado de Bruno Delaroli, policial militar acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos.
A primeira-dama utilizou o depoimento da mãe da menina para questionar a atuação jurídica de Flávio no caso. A referência foi apresentada como argumento político contra o candidato durante a reta final da campanha.
A existência da atuação profissional de Flávio e das declarações públicas sobre o processo não significa, por si só, que ele tenha cometido qualquer irregularidade. O ponto citado por Janja diz respeito à estratégia jurídica adotada na defesa do acusado.
Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
Outro episódio que entrou no contexto da disputa eleitoral foi a circulação de uma informação falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Flávio negou publicamente a informação e afirmou que não existia projeto seu com esse objetivo. A informação que circulou nas redes foi relacionada a uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli, posteriormente arquivada em 2008, sem relação com Flávio Bolsonaro.
O caso chegou à Justiça Eleitoral e provocou decisões sobre a retirada de publicações que apresentavam a informação falsa como verdadeira. A própria controvérsia passou a ser utilizada politicamente por integrantes dos dois campos da disputa.
Vídeos, fake news e informações já desmentidas
A campanha eleitoral de 2026 vem sendo marcada por uma série de vídeos e publicações que misturam fatos reais, declarações fora de contexto e informações falsas.
No caso de Nossa Senhora Aparecida, por exemplo, verificações jornalísticas apontaram que não havia declaração conhecida de Flávio prometendo retirar o título da santa.
Também houve decisões judiciais determinando a remoção de conteúdos relacionados à campanha. Em agosto, o TSE determinou, por 5 votos a 2, a retirada de um vídeo publicado por Flávio que associava Lula ao PCC e ao Comando Vermelho, considerando falsa a associação apresentada na publicação.
Esses episódios mostram que a disputa eleitoral passou a incluir uma intensa batalha nas redes sociais, com acusações de fake news e pedidos de retirada de conteúdos sendo levados à Justiça Eleitoral.
Crítica à estratégia política
A principal crítica que emerge do episódio é justamente o uso de casos antigos, acusações ainda discutidas ou informações que já foram desmentidas como instrumentos de campanha.
Ao mesmo tempo em que Janja acusa adversários de deturparem declarações de Lula, a própria resposta da primeira-dama recupera episódios envolvendo integrantes da família Bolsonaro e acusações que precisam ser apresentadas com suas respectivas ressalvas jurídicas.
O caso de Alfredo Gaspar é um exemplo importante: houve uma acusação formal, mas ele a nega e não houve, até as informações citadas pelo Poder360, denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República. O TSE também já determinou a retirada de conteúdo que apresentava a acusação sem suporte fático mínimo.
Da mesma forma, a história sobre uma suposta retirada do título de Nossa Senhora Aparecida foi identificada como falsa, embora tenha sido amplamente utilizada no debate eleitoral.
O episódio evidencia como, em uma campanha polarizada, informações verdadeiras, acusações, interpretações e conteúdos falsos podem acabar sendo colocados no mesmo debate, tornando especialmente importante verificar o contexto e o resultado de cada caso antes de transformá-lo em argumento político.
A troca entre Janja e Flávio Bolsonaro, portanto, representa mais um capítulo da disputa eleitoral de 2026, com os dois lados utilizando episódios envolvendo adversários para tentar definir a narrativa da campanha.