João Vaccari Neto se muda para a Itália em meio a acusações de suposto pedido de R$ 1 bilhão ligado ao Banco Master

João Vaccari Neto se muda para a Itália em meio a acusações de suposto pedido de R$ 1 bilhão ligado ao Banco Master

Ex-tesoureiro do PT teria transferido sua residência para o exterior há cerca de três meses e obtido cidadania italiana, segundo informações divulgadas em 16 de outubro de 2026. A mudança ocorre após Daniel Vorcaro atribuir a Vaccari uma suposta cobrança de 10% sobre recursos que o Banco Master pretendia captar de fundos de previdência ligados a estatais. As acusações não foram comprovadas judicialmente, e a tentativa de colaboração premiada do ex-banqueiro não avançou.

João Vaccari Neto, ex-tesoureiro nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), voltou ao centro do noticiário político e financeiro após a divulgação de informações de que teria se mudado para a Itália. A transferência de residência foi noticiada em 16 de outubro de 2026 pelo jornalista Claudio Dantas e reproduzida pelo Blog do Robson Pires. Segundo essas publicações, Vaccari teria obtido cidadania italiana e estaria vivendo no país europeu havia aproximadamente três meses.

A mudança ocorre em meio a novas acusações relacionadas ao Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro antes de sua crise e liquidação. Em material apresentado em uma tentativa de colaboração premiada, Vorcaro afirmou que Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre recursos que o banco buscava captar junto a fundos de previdência de trabalhadores de empresas estatais.

Na versão atribuída ao ex-banqueiro, as operações poderiam alcançar aproximadamente R$ 10 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 1 bilhão seria destinado ao PT, enquanto os outros R$ 9 bilhões permaneceriam com o banco, segundo o relato divulgado pela revista Veja e reproduzido por outros veículos.

É necessário destacar que a acusação de cobrança de propina é uma alegação atribuída a Vorcaro, não um fato estabelecido por decisão judicial. A tentativa de colaboração premiada não avançou, e informações divulgadas pela imprensa indicam que a Polícia Federal considerou insuficientes os elementos apresentados. Também não há comprovação de que a mudança de Vaccari para a Itália tenha sido motivada pelas investigações ou tenha como objetivo evitar a Justiça.

A suposta cobrança de 10% sobre recursos de fundos de previdência

De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, a negociação envolveria recursos de fundos de previdência vinculados a empresas públicas, entre elas a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, a Petrobras e os Correios.

O ex-banqueiro teria afirmado que Vaccari exigiu uma comissão equivalente a 10% dos valores que o Banco Master conseguisse captar nesses fundos. Caso o volume projetado de R$ 10 bilhões fosse alcançado, a conta descrita no relato seria de aproximadamente R$ 1 bilhão em supostos pagamentos indevidos.

A narrativa também menciona Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, e interlocutores políticos do PT na Bahia. Segundo a versão divulgada, Lima teria participado de articulações para aproximar o banco de Vaccari, com menção ao senador Jaques Wagner como possível intermediário do primeiro encontro.

Essas informações precisam ser tratadas com cautela. A presença de nomes de políticos ou empresários em um relato não demonstra, por si só, que tenham participado de um esquema criminoso. Para confirmar a acusação, seria necessário reunir documentos financeiros, registros das operações, comunicações verificáveis e outros elementos independentes que sustentassem a narrativa.

Até o momento descrito nas reportagens, a cifra de R$ 1 bilhão corresponde ao valor que, segundo Vorcaro, seria destinado ao PT em uma operação projetada. Não se trata de prova de que o montante tenha sido efetivamente pago ou recebido.

Os R$ 30 milhões relacionados ao documentário sobre Lula

Outro ponto relevante das acusações envolve um suposto repasse de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula, organização ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o financiamento de um documentário sobre a trajetória do petista produzido para exibição internacional.

Segundo reportagem da revista Veja, Vorcaro afirmou que o dinheiro teria sido solicitado no contexto das negociações relacionadas aos fundos de previdência. O relato menciona Paulo Okamotto, dirigente do Instituto Lula, e Alexandre Padilha, ministro do governo federal, no contexto das supostas articulações.

O ex-banqueiro teria diferenciado esse repasse do financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Em áudio divulgado pela imprensa, Vorcaro teria descrito o dinheiro relacionado ao documentário sobre Lula como um pagamento feito “por fora” e considerado irregular, enquanto classificou o apoio ao filme sobre Bolsonaro como patrocínio normal.

A distinção é a versão atribuída ao próprio Vorcaro e não equivale a uma conclusão judicial sobre a natureza dos dois financiamentos. A equipe do diretor Oliver Stone negou ter recebido recursos de Vorcaro ou ter conhecimento de uma suposta contribuição dele para a produção. O Instituto Lula e os demais citados devem ter suas manifestações consideradas na apuração.

Há ainda uma divergência importante entre os relatos divulgados: a revista Veja informou que Vorcaro teria feito as declarações em material apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas a CNN Brasil noticiou que a Polícia Federal não considerou suficientes os elementos para dar prosseguimento à proposta de colaboração. O UOL também informou que não encontrou, nas mensagens extraídas do celular de Vorcaro, referências ao alegado patrocínio do documentário sobre Lula. Essa ausência não prova, isoladamente, que o pagamento não ocorreu, mas é uma lacuna relevante na verificação independente da denúncia.

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