
Janja reaparece falando em “solidariedade” enquanto os Correios tentam respirar por aparelhos
Sem cargo público, mas com um protagonismo digno de ministra sem ministério, primeira-dama grava vídeo pedindo ajuda ao Papai Noel — e esquece de mencionar que a estatal que ela promove está atrás de R$ 20 bilhões para não quebrar.
A primeira-dama Janja, sempre muito ativa para quem oficialmente não exerce função no governo, resolveu surgir nas redes sociais neste sábado (29) com um vídeo todo cheio de brilho natalino. No discurso, ela convida a população a participar da campanha Papai Noel dos Correios, aquela ação em que pessoas “adotam” cartinhas de crianças e tornam o Natal dos pequenos um pouco menos injusto.
Em tom ensaiado, ela diz:
“Oi, pessoal… ainda dá tempo de adotar uma cartinha, fazer parte da corrente do bem, realizar sonhos…”
bonitinho, emocionante — e bem conveniente para quem adora aparecer como embaixadora da bondade, mesmo sem ter qualquer cargo formal para isso.
Enquanto isso, os Correios, a estatal que Janja promove como se fosse departamento pessoal, vivem um momento nada natalino: aprovaram mais um plano de reestruturação e estão buscando R$ 20 bilhões em empréstimos só para continuar funcionando. Isso sem falar no papo de criar uma tal “taxa de universalização”, ou seja, mais uma cobrança que cairia no colo da população para manter a empresa em pé.
Vale lembrar: os Correios estavam na fila da privatização, até que Lula resolveu cancelar tudo — e agora, adivinhe? A estatal virou um fardo pesado e caro.
Mas nada disso aparece no vídeo de Janja. Ali, o enredo é outro: a primeira-dama tenta se colocar como fada madrinha do Natal brasileiro, pedindo que as pessoas adotem cartinhas. Ela lembra das crianças — ainda bem — já que o governo que ela representa esquece delas na maior parte do ano.
Enquanto fala em solidariedade, o país observa: a mesma figura sem cargo público que desfila como se tivesse um, vive esbanjando influência e protagonismo que ninguém elegeu… e agora surge para pedir ajuda ao Papai Noel — enquanto a estatal que ela enfeita no Instagram está praticamente mandando carta de socorro.
Se Papai Noel realmente existir, vai ser difícil explicar pra ele como uma instituição que precisa de bilhões para sobreviver virou cenário para vídeo natalino político. Mas, como tudo no Brasil, até isso a gente abraça com ironia.