
Jatinho que levou Toffoli à final da Libertadores também pousou perto de resort ligado à família do ministro
Registros de voo mostram deslocamentos entre Ourinhos e Brasília em datas que coincidem com a presença de seguranças do STF na região do empreendimento no Paraná
O mesmo jatinho particular que transportou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para assistir à final da Libertadores de 2025, em Lima, no Peru, também esteve, no ano passado, em uma região próxima ao resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR) — empreendimento que já teve parentes do magistrado como sócios.
Dados de rastreamento aéreo indicam que a aeronave, registrada em nome de uma empresa do empresário Luiz Osvaldo Pastore, realizou voos entre Ourinhos (SP) e Brasília nos meses de março e agosto. As datas chamam atenção porque coincidem com períodos em que seguranças do STF receberam diárias oficiais para acompanhar um ministro do Supremo justamente na região de Ribeirão Claro, município a cerca de 40 quilômetros de Ourinhos, onde fica o aeroporto mais próximo.
Nos mesmos intervalos, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), de São Paulo, efetuou pagamentos de diárias a agentes de segurança deslocados para a cidade paranaense.
Contexto do caso
O resort Tayayá, situado às margens de uma represa e voltado ao público de alto padrão, tornou-se ponto sensível em meio à crise envolvendo o Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025. Toffoli é o relator do processo no STF, que atinge diretamente Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.
Reportagens anteriores revelaram que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero, estaria por trás de uma complexa estrutura de fundos de investimento ligados à Reag, gestora também investigada e posteriormente liquidada pelo Banco Central.
Segundo as apurações, um desses fundos adquiriu, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Dias Toffoli no resort Tayayá, em uma transação avaliada, à época, em R$ 6,6 milhões. Após o negócio, a empresa da família do ministro passou a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio, e um dos irmãos de Toffoli administrava o empreendimento naquele período.
Levantamento de dados oficiais mostra que seguranças do Judiciário estiveram em Ribeirão Claro por 128 dias desde 2022. O empresário Luiz Osvaldo Pastore e o ministro Dias Toffoli foram procurados para comentar os registros.
Voos e coincidências
O cruzamento das informações aponta que, em 7 de março de 2025, às 11h30, a aeronave decolou de Ourinhos rumo a Brasília. Na mesma semana, há registros de diárias pagas a seguranças entre os dias 2 e 6 de março, período em que eles estiveram em Ribeirão Claro.
Situação semelhante ocorreu em 1º de agosto, quando o jatinho fez o trajeto inverso, partindo de Brasília para Ourinhos. Novamente, constam pagamentos de diárias a agentes de segurança para os dias 1º a 4 de agosto na cidade paranaense.
Outros episódios
Em dezembro, o colunista Lauro Jardim já havia revelado que Toffoli foi passageiro do mesmo jatinho em um voo para Lima, que contou também com a presença do advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de investigados no caso Banco Master.
Segundo a assessoria do ministro à época, Toffoli não recebeu qualquer tipo de cachê por participar de eventos internacionais, tendo despesas de passagem e hospedagem custeadas pelos organizadores. Pastore foi descrito como amigo pessoal do magistrado, sem conflito de interesses.
Nesta semana, um vídeo divulgado pelo portal Metrópoles mostrou Toffoli recebendo no resort Tayayá o próprio Luiz Pastore e o banqueiro André Esteves.
Pastore é um empresário paulista, radicado no Espírito Santo, com atuação nos setores de importação, indústria e administração de imóveis.