
João Campos associa Raquel Lyra a Flávio Bolsonaro e transforma disputa em Pernambuco em batalha de campos políticos
O candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos, voltou a elevar o tom contra a governadora Raquel Lyra (PSD) ao relacionar sua adversária estadual ao campo político do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Em entrevista ao Canal UOL, realizada na segunda-feira (3), o ex-prefeito do Recife afirmou que a disputa estadual está ligada ao cenário nacional e classificou os grupos envolvidos como projetos políticos distintos.
Segundo Campos, sua candidatura representa um campo identificado com pautas populares e alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto seus adversários estariam ligados à direita e à extrema direita.
“A gente está do lado certo da história, o nosso campo político é o campo popular. Do outro lado está a extrema direita e a direita. Vai apoiar Flávio Bolsonaro. Do nosso lado, a gente tem um palanque unido no entorno de Lula”, declarou o socialista durante a entrevista.
A fala faz parte da estratégia de João Campos de nacionalizar a eleição pernambucana, associando sua candidatura ao apoio do presidente Lula e colocando Raquel Lyra em um campo político próximo ao bolsonarismo. A governadora, por sua vez, tem buscado manter uma posição própria no cenário estadual, evitando uma vinculação direta com grupos nacionais.
Críticas sobre redes sociais e acusações de ataques
Durante a entrevista, João Campos também voltou a acusar apoiadores da governadora de promoverem uma campanha de ataques contra ele nas redes sociais. O candidato afirmou que teria sido alvo de uma estrutura organizada de disseminação de críticas e informações falsas.
“Foi montada uma estrutura de ódio, de ataque, de fake news, um verdadeiro gabinete do ódio lastreado pelos apoiadores da governadora”, afirmou.
Campos disse ainda que os ataques teriam atingido não apenas sua atuação como prefeito do Recife, mas também sua família. Segundo ele, a estratégia utilizada seria semelhante a métodos atribuídos ao bolsonarismo.
“Isso foi uma prática da extrema direita, uma prática bolsonarista que foi utilizada pelo entorno da governadora, dos seus apoiadores”, declarou.
Até o momento, não foram apresentadas provas públicas que comprovem a existência de uma estrutura financiada ou organizada ligada diretamente à governadora Raquel Lyra. A acusação faz parte do embate político entre os grupos que disputam o comando de Pernambuco.
Aliança com Lula como principal argumento eleitoral
João Campos também reforçou durante a entrevista sua aproximação com o presidente Lula e destacou o apoio recebido pelo PT pernambucano. O candidato afirmou que sua candidatura representa uma união entre forças políticas locais e o projeto nacional do governo federal.
Segundo Campos, a direção estadual do PT declarou apoio majoritário à sua candidatura, além de mencionar manifestações públicas de Lula em favor de seu nome.
“O presidente Lula já manifestou o seu apoio. O partido também, de forma quase unânime. Tivemos 86% do diretório do PT declarando apoio à nossa candidatura”, disse.
Para o socialista, a aliança representa mais do que uma união eleitoral, mas uma parceria de projetos para o Estado.
Disputa estadual ganha contornos nacionais
A eleição em Pernambuco passou a refletir também a polarização nacional entre os grupos ligados ao presidente Lula e ao campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A tentativa de João Campos de aproximar Raquel Lyra de Flávio Bolsonaro faz parte de uma disputa narrativa para definir os principais campos políticos da eleição.
Do outro lado, Raquel Lyra tenta consolidar uma imagem de gestora estadual, buscando ampliar seu espaço político sem se limitar ao confronto nacional entre petistas e bolsonaristas.
Com o avanço do calendário eleitoral, a disputa pernambucana tende a ser marcada por debates sobre alianças, apoio nacional e avaliação da gestão estadual, enquanto os candidatos procuram fortalecer suas bases e conquistar eleitores em um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste.