
Joesley Batista: “Falar bem do Brasil é obrigação, nem todo brasileiro faz”
Encontro com Trump, negociações na Indonésia e acordos bilaterais marcam protagonismo dos irmãos Batista na comitiva brasileira
Em Jacarta, durante a visita do presidente Lula à Indonésia, o empresário Joesley Batista, da JBS, comentou sobre seu recente encontro com Donald Trump na Casa Branca: “Tem que falar bem do Brasil, coisa que todo brasileiro deveria fazer. Infelizmente, nem todo brasileiro faz”. A conversa, segundo ele, fazia parte de uma estratégia privada para aproximar os governos brasileiro e americano, que até então tinham relações tensas.
Joesley explicou seu visual estratégico: a gravata vermelha, que, segundo ele, combina tanto com o vermelho do PT quanto com o do Partido Republicano. Diferente do irmão Wesley Batista, que seguirá até a Malásia para acompanhar a reunião direta entre Lula e Trump, Joesley permanecerá na Indonésia.
O encontro do próximo domingo, em Kuala Lumpur, é considerado o ponto alto da agenda diplomática, com foco em tarifas sobre produtos brasileiros e medidas que afetam autoridades do Supremo e do Executivo. Mas, segundo analistas, acordo formal entre os presidentes é improvável.
Na Indonésia, os irmãos Batista se destacaram entre a comitiva empresarial. Apenas eles e o executivo José Carlos Grubisich participaram de encontros reservados e almoço oficial no Palácio Merdeka, ao lado do presidente indonésio Prabowo Subianto. Durante a cerimônia, três acordos comerciais foram assinados, envolvendo a JBS, fundos soberanos e empresas locais, em setores que vão de energia a produção de proteína animal.
Além do prestígio, os Batista enxergam na Indonésia oportunidades estratégicas para expandir negócios em carnes, aves, ovos, peixes e gado vivo, mirando vendas anuais de até US$ 7 bilhões. O objetivo é fortalecer a presença do agronegócio brasileiro no Sudeste Asiático, aproveitando plataformas já existentes na Austrália.
Durante a agenda, Lula destacou o potencial de cooperação bilateral: “Podemos contribuir para a segurança alimentar do povo indonésio, incluindo o programa de alimentação escolar”. Ele também reforçou o interesse em expandir o comércio de produtos de defesa, como Super Tucano, KC-390 e Gripen, além de energias sustentáveis com base no etanol.
Entre reuniões e eventos sociais, os Batista mostraram desenvoltura: participaram de jantares oficiais, festas de aniversário de Lula e até momentos de descontração no piano bar do hotel, sempre acompanhados de representantes do governo brasileiro e da Apex-Brasil.
A visita reforça a nova face internacional dos empresários, que passaram de personagens de delações e polêmicas nacionais a protagonistas de negociações bilaterais estratégicas para o Brasil.