
Joesley Batista se aproxima de Maduro e mira papel de ponte entre Brasil e EUA
Empresário comunica governo Lula sobre encontros internacionais e busca reposicionar imagem após delações; Planalto e J&F não comentam oficialmente
O empresário Joesley Batista, dono da JBS, informou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua reunião com Nicolás Maduro, da Venezuela, na tentativa de pressionar o líder venezuelano a renunciar e permitir uma transição pacífica de poder.
Segundo apuração da Coluna, a estratégia de Joesley é usar sua proximidade com líderes internacionais, como o presidente dos Estados Unidos, para atuar como facilitador em relações diplomáticas, enquanto mantém linha direta com o Planalto. Fontes do governo não comentaram oficialmente o assunto.
O grupo J&F também vê nesses encontros uma oportunidade de reposicionar sua imagem corporativa, superando o histórico de delações e controvérsias, e se apresentar como articulador em temas globais. A empresa já foi destaque nos programas de “Campeões Nacionais” e teve prestígio abalado após as delações de 2017, que resultaram na prisão dos irmãos Batista.
A volta de Lula à Presidência abriu caminho para Joesley retomar influência política. Sua atuação na crise venezuelana poderia fortalecer essa reconstrução de imagem, transformando a percepção de delator em mediador geopolítico com acesso a líderes mundiais.
Oficialmente, a J&F afirma que Joesley não representa nenhum governo e não fará declarações além disso. A viagem a Caracas, revelada pela Bloomberg e confirmada pela Coluna, aconteceu em 23 de novembro, após contato do presidente americano com Maduro solicitando sua saída da Venezuela.
A Bloomberg destacou que a visita de Joesley tinha o objetivo de reduzir tensões políticas entre os governos do Brasil e dos EUA e que Washington estava ciente da viagem, mas não solicitou que ele atuasse em nome do governo americano.
Além disso, a JBS mantém negócios de longa data com a Venezuela, incluindo contratos de fornecimento de carne bovina e frango, totalizando US$ 2,1 bilhões, em meio à crise econômica e humanitária do país.