
José Guimarães culpa Flávio Bolsonaro por tarifaço dos EUA e reação nas redes resgata escândalo dos dólares na cueca
Ministro de Lula dispara contra senador do PL enquanto internautas lembram episódio que marcou sua trajetória política e questionam moral do discurso
O ministro das Relações Institucionais do governo Lula, José Guimarães, voltou ao centro das polêmicas políticas após tentar responsabilizar o senador Flávio Bolsonaro pelo novo embate comercial entre Brasil e Estados Unidos. A declaração aconteceu depois da divulgação do relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que propõe uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas consideradas “desleais” pela gestão Donald Trump.
Ao chegar para uma reunião no Palácio do Planalto, Guimarães foi direto ao atacar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Flávio Bolsonaro só atrapalha o Brasil”, afirmou o ministro, numa tentativa de transformar o desgaste diplomático em munição política contra a oposição.
Mas o comentário teve efeito contrário nas redes sociais. Em poucas horas, usuários passaram a relembrar um dos episódios mais constrangedores da história recente da política brasileira: o escândalo envolvendo um assessor ligado a José Guimarães flagrado com dólares escondidos na cueca, caso que virou símbolo nacional de corrupção e desgaste ético no início dos governos petistas.
A ironia rapidamente tomou conta do debate político. Muitos questionaram como um político marcado por um escândalo dessa dimensão agora tenta posar como defensor da moralidade nacional e acusador oficial de “prejuízos ao Brasil”. O episódio do assessor com dinheiro na roupa íntima voltou a circular em vídeos, memes e publicações nas plataformas digitais, mostrando que a internet dificilmente esquece certas cenas da política brasileira.
Enquanto isso, o governo Lula tenta conter o impacto da crise comercial com os Estados Unidos. O relatório do USTR acusa o Brasil de manter práticas que prejudicariam empresas americanas em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento e, principalmente, o sistema de pagamentos Pix.
Segundo o governo americano, o Pix, administrado pelo Banco Central, cria vantagens competitivas para o sistema brasileiro e dificulta a concorrência de empresas privadas internacionais de pagamentos digitais. O documento reconhece o sucesso do modelo brasileiro na redução de custos e ampliação da inclusão financeira, mas afirma que a centralização estatal do sistema gera “assimetria competitiva”.
Nos bastidores do Planalto, ministros de Lula classificam o movimento americano como político e não econômico. A avaliação do governo é de que Donald Trump estaria aumentando a pressão sobre o Brasil em meio ao ambiente eleitoral e às disputas geopolíticas envolvendo América Latina e comércio internacional.
José Guimarães participou de uma reunião de emergência com Geraldo Alckmin e integrantes da equipe econômica para discutir a resposta oficial do Brasil ao possível tarifaço. O governo deve divulgar uma nota dura criticando a postura dos EUA e defendendo o Pix como patrimônio nacional.
Ao mesmo tempo, aliados petistas passaram a associar Flávio Bolsonaro às medidas americanas após encontros recentes do senador com Trump nos Estados Unidos. A narrativa governista tenta transformar a crise diplomática em discurso eleitoral, acusando membros da família Bolsonaro de incentivarem ações contra os interesses brasileiros.
Flávio Bolsonaro nega qualquer participação em pedidos de sanções econômicas ao Brasil. Ainda assim, a tensão política aumentou após o anúncio de que facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, poderão ser classificadas pelos EUA como organizações terroristas internacionais.
O caso mostra como a política brasileira continua mergulhada numa guerra permanente de versões, acusações e memórias incômodas. De um lado, o governo tenta responsabilizar a oposição pela pressão internacional contra o Brasil. Do outro, críticos lembram que parte dos protagonistas do discurso atual carrega escândalos antigos que jamais saíram completamente da memória popular.
E no meio desse conflito político, o país acompanha mais um capítulo em que crises internacionais, interesses eleitorais e velhos fantasmas da corrupção acabam se misturando num cenário cada vez mais polarizado.