Justiça derruba prefeito e vice de Barrolândia por compra de votos e abuso de poder

Justiça derruba prefeito e vice de Barrolândia por compra de votos e abuso de poder

Troca de favores por apoio eleitoral, contratações suspeitas e distribuição de dinheiro levaram à cassação de mandatos e à inelegibilidade dos envolvidos por oito anos

A Justiça Eleitoral cassou os mandatos do prefeito de Barrolândia, João Machado Alves (União Brasil), e do vice-prefeito Neusimar dos Reis (Republicanos), por suspeita de uso indevido da máquina pública e compra de votos nas eleições de 2024. A sentença, que ainda cabe recurso, também tornou os dois, além do ex-prefeito Adriano José Ribeiro, inelegíveis pelos próximos oito anos.

De acordo com a decisão do juiz Ricardo Gagliardi, da 28ª Zona Eleitoral de Miranorte, o trio teria usado a estrutura da prefeitura para conquistar votos. Entre as práticas apontadas estão contratações temporárias, nomeações direcionadas em concurso público, repasse de dinheiro e benefícios pessoais — como oferta de imóveis, auxílio médico e até ajuda para o transporte até os locais de votação.

Outro ponto decisivo no julgamento foi o aumento expressivo no número de servidores municipais em 2024, ano eleitoral. A folha de pagamento cresceu mais de 30% em relação ao ano anterior — um salto de 158 para 227 funcionários. Para o juiz, esse inchaço no quadro funcional não teve justificativa administrativa plausível, mas sim “objetivo político claro”: garantir apoio nas urnas em um município onde o emprego público é uma das poucas oportunidades de trabalho.

“Barrolândia é uma cidade pequena e dependente da agropecuária, com poucas opções de emprego. Aumentar o número de servidores em ano eleitoral acaba se tornando uma moeda de troca com o eleitorado. Isso perpetua um ciclo vicioso de dependência e manutenção no poder”, afirmou o magistrado.

Além da cassação dos mandatos e da inelegibilidade por oito anos, cada um dos três foi multado em 30 mil UFIRs. A Justiça também determinou a realização de novas eleições suplementares para prefeito e vice na cidade.

Dois vereadores também foram investigados, mas permaneceram nos cargos por falta de provas que comprovassem envolvimento direto nas irregularidades.

A defesa dos envolvidos e a Prefeitura de Barrolândia não se manifestaram até o fechamento da reportagem. Já a direção estadual do União Brasil declarou que respeita a decisão, mas discorda dos argumentos e reafirma que o processo eleitoral no município foi legítimo e dentro da lei.

Enquanto os desdobramentos ainda seguem na Justiça, Barrolândia terá que se preparar para uma nova disputa eleitoral — agora, sob o peso das denúncias e com a população mais atenta aos bastidores do poder local.

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