
Kassab manda recado a Tarcísio: gratidão não é coleira
Presidente do PSD diz que reconhecer Bolsonaro é legítimo, mas cobra autonomia e identidade própria do governador de SP
O secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), afirmou nesta quinta-feira (29) que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) precisa deixar bem clara uma linha que, na política, muita gente finge não enxergar: uma coisa é ser grato, outra é viver de cabeça baixa.
Em entrevista ao UOL News, Kassab disse que Tarcísio sempre demonstrou respeito ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem chamou de “um grande líder”, mas destacou que o governador precisa avançar além disso e construir uma marca própria, com postura independente e decisões que não pareçam tuteladas.
“Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade; outra coisa é submissão”, resumiu Kassab, sem rodeios.
Na avaliação dele, os gestos de reconhecimento de Tarcísio são importantes e mostram caráter — afinal, não é todo dia que alguém assume publicamente quem ajudou na sua trajetória. Mas Kassab reforçou que isso não pode virar sinônimo de dependência política, como se o governador precisasse pedir “autorização” para existir no cenário nacional.
Segundo Kassab, Tarcísio tem atributos que o colocam como liderança com peso nacional, e isso exige mais do que acenos: exige identidade própria.
Ele também afirmou que Tarcísio deve, sim, manter o reconhecimento ao papel de Bolsonaro na sua eleição ao governo de São Paulo, lembrando que o ex-presidente teve influência direta nesse caminho. Só que, para Kassab, isso precisa caminhar junto com um recado simples: Tarcísio não pode ser apenas um reflexo de Bolsonaro — tem que ser um projeto por conta própria.
As declarações vêm na esteira da decisão de Tarcísio de não disputar a Presidência neste ano, encerrando as especulações sobre uma candidatura nacional. Kassab, inclusive, já havia demonstrado entusiasmo com a possibilidade, mas o governador recuou depois que Bolsonaro sinalizou apoio ao filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como nome da direita para o Planalto.
Com Tarcísio fora do jogo presidencial, o PSD agora trabalha com outros possíveis nomes para 2026, como Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR). Se o plano avançar, será a primeira vez que o partido pode lançar uma candidatura própria à Presidência.
No fim das contas, Kassab deixou um recado que parece óbvio, mas na política precisa ser repetido como mantra: agradecer é humano — virar subordinado é opção.