Laura Fernández vence eleição e vira nova presidente da Costa Rica com discurso duro na segurança

Laura Fernández vence eleição e vira nova presidente da Costa Rica com discurso duro na segurança

Conservadora de direita e simpática a Trump, candidata governista promete megaprisões ao estilo Bukele para enfrentar avanço do narcotráfico

A Costa Rica, conhecida por décadas como um dos países mais estáveis e pacíficos da América Latina, acaba de eleger uma presidente com um recado bem claro: tolerância zero contra o crime. A cientista política Laura Fernández, de 39 anos, conservadora, de direita e declaradamente alinhada a ideias próximas de Donald Trump, foi eleita neste domingo (1º) como a nova presidente do país.

Fernández, que também elogia o modelo de segurança adotado por Nayib Bukele, em El Salvador, chegou ao poder prometendo medidas duras — incluindo a construção de megaprisões e a possibilidade de adotar estados de exceção, como o vizinho salvadorenho fez para enfrentar gangues e o crime organizado.

Segundo o Tribunal Supremo Eleitoral, com 88,4% das urnas apuradas, ela somava 49,1% dos votos, porcentagem suficiente para vencer no primeiro turno (o mínimo exigido era 40%). O segundo colocado, o economista Álvaro Ramos, do Partido de Libertação Nacional, aparecia com 32,8%.

Vitória com carimbo de continuidade

Laura Fernández foi a candidata do governo e fez campanha defendendo a manutenção da linha do atual presidente Rodrigo Chaves, que não pôde disputar reeleição pelas regras do país. O discurso dela apostou na continuidade, mas com um tempero que ganhou força entre os eleitores: mão firme contra o narcotráfico e a violência, que cresceram nos últimos anos.

E foi justamente esse medo — a sensação de que a Costa Rica está mudando de rosto — que pesou na decisão de muita gente. Um país que por muito tempo foi visto como “exceção tranquila” na região agora enfrenta um cenário mais pesado, com crimes ligados a drogas e disputas de facções.

Megaprisões e estado de exceção: promessa que divide

Atualmente ministra da Presidência, Fernández defende concluir um presídio inspirado nas megaprisões de Bukele, que viraram símbolo da política de encarceramento em massa em El Salvador. Ela também acena com medidas emergenciais, como estados de exceção, apesar de organizações de direitos humanos apontarem que esse tipo de estratégia pode abrir caminho para abusos.

Mesmo assim, para uma parte do eleitorado, a promessa de ação rápida e dura pareceu mais convincente do que discursos tradicionais.

Costa Rica no mapa do tráfico

Com cerca de 5,2 milhões de habitantes e uma economia relativamente estável, a Costa Rica também é um destino turístico mundial por sua natureza exuberante. Só que, segundo autoridades, o país deixou de ser apenas uma “ponte” no tráfico internacional e passou a ser também um ponto de exportação de drogas, influenciado pela presença de cartéis mexicanos e colombianos.

Ou seja: a eleição acontece num momento em que a Costa Rica tenta segurar uma onda que vem crescendo e ameaçando sua imagem de tranquilidade.

E o Congresso pode virar peça-chave

Além da presidência, os costa-riquenhos também foram às urnas para renovar a Assembleia Nacional, com 57 cadeiras. Ainda sem resultado fechado, pesquisas indicavam que o partido de Rodrigo Chaves deve ampliar espaço no Congresso.

A grande dúvida é se a base governista vai conquistar uma supermaioria, o que daria força extra ao novo governo — inclusive para influenciar decisões como a escolha de magistrados da Suprema Corte.

No total, 20 candidatos concorreram à presidência, mas apenas Fernández e Ramos passaram de 5% dos votos, mostrando como a disputa se afunilou rapidamente.

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