Lei Rouanet sem fronteiras: Governo libera R$ 2,5 milhões para espetáculo sobre Chico Buarque em Portugal

Lei Rouanet sem fronteiras: Governo libera R$ 2,5 milhões para espetáculo sobre Chico Buarque em Portugal

Enquanto brasileiros apertam o cinto, dinheiro de renúncia fiscal banca homenagem a ícone da militância de esquerda no exterior

O Governo Federal autorizou a captação de quase R$ 2,5 milhões pela Lei Rouanet para financiar o espetáculo teatral “Trocando em Miúdos”, que celebra os 80 anos de Chico Buarque — não no Brasil, mas em Portugal. O valor vem de renúncia fiscal, ou seja, dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos para bancar o projeto.

As apresentações estão previstas para Lisboa e Porto, sob o argumento de “difundir a obra de Chico Buarque no cenário cultural português”. A pergunta que fica é simples: desde quando cabe ao contribuinte brasileiro financiar cultura militante fora do país?

O projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura e descreve o espetáculo como um “teatro musical inovador”, que conecta músicas e poesias do artista em uma narrativa sobre “conflitos humanos e sociais”. Na prática, trata-se de mais uma exaltação a um nome historicamente alinhado à esquerda brasileira, agora com carimbo oficial do governo.

Vale lembrar que a Lei Rouanet, criada em 1991, funciona por meio da destinação de parte dos impostos pagos por empresas e pessoas físicas para projetos aprovados pelo governo. No terceiro mandato de Lula, os números chamam atenção: os repasses bateram recordes.

Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, R$ 6,5 bilhões foram autorizados via Lei Rouanet. Só em 2024, o montante chegou a R$ 3,1 bilhões, o maior da história. Coincidência ou prioridade bem definida?

Enquanto isso, artistas fora do circuito ideológico dominante seguem enfrentando dificuldades para captar recursos. O recado parece claro: militância não sai barato — e nunca é gratuita. No Brasil governado pela esquerda, quem canta o hino certo não precisa nem de plateia nacional: basta um palco no exterior e um bom aval do governo.

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