
“Lição de democracia?”, ironiza público após Lula celebrar prisão de Bolsonaro
Presidente comemora decisão do STF, enquanto críticos lembram que democracia de verdade seria ver condenados da Lava Jato — inclusive ele — cumprindo pena.
Lula elogia julgamento ‘primoroso’ e diz que país está amadurecido, mas reação nas redes aponta contradições gritantes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir o tom nesta quarta-feira (26), declarando que o Brasil deu “um passo importante” e ofereceu “uma lição de democracia ao mundo” após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de militares envolvidos na tentativa de golpe.
Segundo Lula, o país teria demonstrado maturidade institucional ao ver o Supremo Tribunal Federal tornar definitivas as condenações, sem espaço para novos recursos. “A justiça mostrou sua força, sem medo, sem ruído”, afirmou, durante o evento que anunciou a nova faixa de isenção do Imposto de Renda.
Mas não demorou para a fala ser recebida com ironia — afinal, para muitos brasileiros, democracia forte mesmo seria aquela em que condenados por corrupção também estariam cumprindo pena, inclusive aqueles julgados em três instâncias por oito juízes, como é o caso do próprio Lula antes das anulações.
Enquanto o presidente dizia estar “feliz” com o que chamou de demonstração de maturidade institucional, críticos lembravam que seletividade judicial não combina com lição democrática. “Esse país demonstrou que está pronto para exercer a democracia”, declarou Lula — frase que ganhou versões sarcásticas nas redes.
Na véspera, o STF confirmou por unanimidade a pena de 27 anos e três meses de prisão para Bolsonaro, que seguirá detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Para Lula, todas as acusações são “internas” ao grupo que teria articulado o golpe. “É tudo gente da quadrilha”, afirmou, elogiando o julgamento como “primoroso”.
O discurso foi celebrado pelos aliados, mas para parte da população soou como aquela velha cena política brasileira: um condenado anulando a própria condenação e, do outro lado, comemorando a prisão do rival como símbolo de democracia plena.
Ironia pouca é bobagem.