Lula abre o cofre para barrar anistia: R$ 3,2 bilhões em emendas liberados em duas semanas

Lula abre o cofre para barrar anistia: R$ 3,2 bilhões em emendas liberados em duas semanas

Maior repasse do ano aconteceu no mesmo dia em que STF julgava Bolsonaro; Planalto tenta segurar Centrão contra o perdão aos golpistas

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu acelerar a liberação de emendas parlamentares justamente no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julga o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde o início das sessões, já foram pagos R$ 3,2 bilhões, numa clara tentativa de manter o Congresso alinhado e frear a pressão pela anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro.

O movimento mais chamativo ocorreu na terça-feira (9/9), quando o Planalto despejou R$ 2,3 bilhões de uma só vez — a maior liberação de recursos deste ano e a 9ª maior da série histórica. Para comparação: no ano passado, o recorde foi de R$ 5,8 bilhões, em dezembro.

Segundo dados oficiais, 91% do montante foi direcionado a emendas individuais, aquelas que rendem retorno direto aos deputados e senadores em suas bases eleitorais. O restante ficou dividido entre bancadas estaduais, comissões temáticas e verbas do relator do Orçamento — herança do polêmico “orçamento secreto”.

A pressa do governo tem explicação: no Congresso, crescem as chances de o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), colocar a proposta de anistia em votação. Uma parte do Centrão se movimenta junto com a oposição, enquanto outra prefere enfrentar o tema no voto para derrotá-lo de vez. A estratégia do Planalto é simples — fortalecer o segundo grupo e enterrar qualquer possibilidade de perdão a Bolsonaro.

O problema é que, nos últimos meses, a escassez de emendas já vinha enfraquecendo a base governista, resultando em derrotas como a articulação que tirou do governo a presidência e a relatoria da CPMI do INSS. Agora, Lula tenta recuperar terreno irrigando as bases eleitorais dos parlamentares e dando mais poder de barganha a Motta, que resiste à anistia mas enfrenta desgaste com o próprio Centrão.

No fim das contas, o Planalto joga pesado: abre o cofre e aposta que dinheiro nas bases vale mais do que discursos inflamados no plenário.

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