Lula admite desgaste da “taxa das blusinhas” e expõe recuo do governo após pressão popular

Lula admite desgaste da “taxa das blusinhas” e expõe recuo do governo após pressão popular

Presidente diz que Haddad acreditava estar protegendo a indústria brasileira, mas medida virou dor de cabeça política para o Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que o governo recuou da chamada “taxa das blusinhas” depois da forte reação popular contra a cobrança de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas digitais estrangeiras. Em entrevista à TV Brasil, Lula revelou que o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendia a medida com “convicção”, acreditando que ela ajudaria a proteger o varejo e a indústria nacional.

A fala do presidente acabou expondo o desgaste político causado pela proposta, que rapidamente virou alvo de críticas nas redes sociais e provocou revolta entre consumidores acostumados a comprar produtos baratos em aplicativos internacionais.

Segundo Lula, Haddad foi pressionado principalmente por empresários do varejo de São Paulo e do Rio de Janeiro, que reclamavam da concorrência das gigantes estrangeiras do comércio eletrônico. O governo argumentava que empresas nacionais enfrentavam desvantagem tributária diante das plataformas internacionais.

“O Haddad acreditava sinceramente que era uma medida positiva para proteger a indústria brasileira”, afirmou Lula ao comentar o assunto. Mas o presidente reconheceu que o governo percebeu tarde demais o impacto político da decisão sobre milhões de consumidores.

A chamada “taxa das blusinhas” previa a cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de pequeno valor feitas em plataformas online. A medida atingia diretamente consumidores de baixa e média renda que passaram a recorrer a sites estrangeiros para comprar roupas, eletrônicos, acessórios e outros produtos mais baratos.

Com a repercussão negativa crescendo, o governo acabou editando uma medida provisória para zerar novamente a alíquota sobre compras de até US$ 50. O texto ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional.

Nos bastidores de Brasília, o episódio é tratado como uma das maiores derrotas de comunicação do governo Lula em 2026. A proposta foi vista por muitos eleitores como contraditória, especialmente porque atingia justamente consumidores mais pobres, enquanto viajantes internacionais continuam tendo isenções muito maiores em compras no exterior.

Lula tentou justificar o recuo dizendo que havia uma distorção no sistema. Segundo ele, brasileiros mais ricos podem gastar até US$ 2 mil fora do país sem pagar imposto, enquanto compras pequenas da população acabavam sendo taxadas.

A declaração do presidente também reforçou a percepção de improviso dentro do governo. Primeiro, o Planalto defendeu a medida como essencial para proteger empregos e o comércio nacional. Depois, diante da pressão popular e da queda de popularidade, voltou atrás rapidamente para evitar um desgaste ainda maior em ano pré-eleitoral.

Enquanto o governo tenta vender o recuo como sensibilidade às demandas da população, críticos afirmam que o episódio mostra falta de planejamento econômico e desconexão com a realidade do consumidor brasileiro, que enfrenta inflação, juros altos e perda do poder de compra.

O caso virou símbolo de uma crise maior: a dificuldade do governo em equilibrar arrecadação, pressão do setor produtivo e desgaste político em um cenário eleitoral cada vez mais acirrado.

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