
Lula adota discurso pacificador, mas retaliação aos EUA fica para depois
Presidente afirma que não tem pressa, mas abre caminho para medidas e mantém tom de provocação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29/8) que não há pressa para retaliar os Estados Unidos pela sobretaxa de 50% aplicada a produtos brasileiros. Apesar de ter autorizado que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) inicie consultas técnicas sobre a Lei de Reciprocidade, Lula reforçou que o processo será gradual e que a prioridade é tentar negociar.
“Isso é um processo demorado. Eu não tenho pressa de aplicar qualquer medida. Apenas demos início ao processo porque é necessário começar”, explicou o presidente em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais. Em tom irônico, ainda acrescentou: “Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta”.
Ontem (28/8), o governo determinou que a Camex elabore um relatório técnico em até 30 dias, avaliando se as ações dos EUA se enquadram na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso este ano. Esse documento será o primeiro passo para eventual retaliação, mas nenhuma medida concreta será aplicada imediatamente.
Lula lamentou que os norte-americanos não demonstrem interesse em abrir diálogo, mas garantiu que está disposto a conversar diretamente com Donald Trump, possivelmente durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York. “Vai depender dele, porque estarei no mesmo espaço”, disse, mantendo o tom provocador e irônico que marca seu estilo.
Mais uma vez, o presidente mostra que prefere discursos calculados e provocações públicas à ação imediata, reforçando sua imagem de liderança que abre a boca para falar antes de agir.