
Lula afirma que Bolsonaro se “autocondena” ao pedir anistia antes do julgamento
Presidente critica pedido de perdão antecipado e reforça que ex-presidente deve provar sua inocência
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (5/9) que o ex-presidente Jair Bolsonaro assume culpa ao solicitar anistia antes do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo caso da trama golpista.
“O fato dele pedir anistia antes de ser julgado mostra que ele sabe que é culpado. Ele está se autocondenando. O papel dele agora deveria ser provar sua inocência. Os advogados falaram muito, mas não fizeram nada, porque sabem que não têm defesa”, declarou Lula em entrevista ao SBT, em Brasília.
O presidente ressaltou ainda que quem tenta agredir o Estado Democrático de Direito precisa ser punido, em qualquer país do mundo. Segundo ele, o processo de Bolsonaro se baseia em delações de generais e tenentes que atuavam ao lado do ex-presidente, e, embora tenha forte conotação política, trata-se de um caso eminentemente jurídico.
Lula destacou que Bolsonaro cometeu crimes documentados no processo e deveria assumir a responsabilidade, apresentando sua defesa com clareza e caráter.
A Primeira Turma do STF retoma na próxima semana o julgamento do ex-presidente e de outros sete réus, com sessões de terça a sexta-feira, onde os ministros, incluindo o relator Alexandre de Moraes, decidirão sobre condenação ou absolvição.
Além disso, circula uma nova proposta de anistia elaborada pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, que perdoaria Bolsonaro e outros condenados do caso 8 de Janeiro, incluindo crimes desde o inquérito das fake news, permitindo a candidatura do ex-presidente em 2026. A versão ainda não foi protocolada e enfrenta resistência do centrão, que defende manter a inelegibilidade de Bolsonaro, para viabilizar a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo federal.
Destaque: Lula reforça que a tentativa de anistia antes do julgamento evidencia uma autocondenação e alerta para a importância de respeitar o processo judicial e a democracia no país.