
Lula alerta para riscos de flexibilização ambiental: “Mercados podem fechar para produtos brasileiros”
Presidente critica decisão do Congresso que derrubou vetos no licenciamento ambiental e defende produção sustentável do agronegócio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a 6ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, nesta quinta-feira (4), para manifestar preocupação com a derrubada de 56 dos 63 vetos ao novo marco do licenciamento ambiental pelo Congresso Nacional.
Segundo Lula, o objetivo dos vetos era proteger o agronegócio brasileiro de possíveis barreiras comerciais impostas por grandes importadores, e ele criticou a flexibilização de pontos considerados sensíveis. A decisão parlamentar simplifica etapas do licenciamento, amplia modalidades reduzidas e diminui a participação de órgãos setoriais, o que, para a bancada ruralista, moderniza regras e destrava investimentos.
“O que vetamos foi para proteger o agronegócio”, afirmou Lula durante o encontro no Itamaraty. “Mas essa mesma gente que derrubou meu veto, quando a China ou a Europa pararem de comprar nossa soja, carne ou algodão, vai recorrer à diplomacia. Eles sabem que estão errados. Queremos uma produção maior, mas mais limpa e sustentável.”
O presidente ressaltou que setores produtivos já aplicam critérios ambientais rígidos e citou o empresário Eraí Maggi, presente à reunião, lembrando que alertas importantes foram ignorados. Para o Planalto, essa flexibilização pode prejudicar a competitividade do Brasil no cenário global, mesmo com uma matriz energética mais limpa que a de muitos países desenvolvidos.
A derrota nos vetos marcou uma vitória da bancada ruralista e expôs limitações da articulação política do governo. No Palácio do Planalto, há a avaliação de que debates sobre licenciamento ambiental serão cada vez mais centrais nas negociações legislativas e na diplomacia comercial do país.