Lula anuncia bilhões para aeroportos, mas quem abre a carteira é o BNDES

Lula anuncia bilhões para aeroportos, mas quem abre a carteira é o BNDES

Presidente sobe ao palco para colher os aplausos, enquanto o banco público financia R$ 4,6 bilhões em obras pelo país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara mais um anúncio de peso para esta terça-feira (11): um pacote de R$ 4,64 bilhões destinado à ampliação e modernização de 11 aeroportos brasileiros. A cerimônia acontece no Palácio do Planalto, com direito a discursos, fotos oficiais e clima de grande entrega. O detalhe que costuma ficar em letras miúdas é que o dinheiro não sai diretamente do governo, mas sim do BNDES, banco público que assume o risco e o financiamento do projeto.

Segundo o Planalto, o investimento promete ampliar a capacidade operacional dos terminais, melhorar padrões de sustentabilidade e gerar empregos. A estimativa oficial é de 2 mil postos de trabalho durante as obras e cerca de 700 vagas permanentes após a conclusão. Na prática, o governo apresenta o pacote como vitrine política, enquanto o BNDES entra como o verdadeiro motor financeiro da iniciativa.

Os recursos contemplam aeroportos em quatro estados:

  • São Paulo, com destaque absoluto para Congonhas;
  • Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá;
  • Pará, com obras em Santarém, Marabá, Carajás e Altamira;
  • Minas Gerais, beneficiando Uberlândia, Uberaba e Montes Claros.

Todos os terminais são administrados pela empresa espanhola Aena, responsável pela execução das melhorias.

Congonhas concentra o maior pedaço do bolo

Do total anunciado, R$ 2 bilhões serão destinados apenas ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo — o segundo mais movimentado do país e peça-chave da aviação doméstica. O terminal, que recebe cerca de 23 milhões de passageiros por ano, passará por uma transformação de grande porte.

O projeto prevê a construção de um novo terminal de passageiros, ampliando a área de 40 mil para 105 mil metros quadrados. O pátio de aeronaves será expandido, as pontes de embarque saltarão de 12 para 19, e a área comercial ultrapassará 20 mil metros quadrados. Diferente dos demais aeroportos, cujas obras devem ser concluídas até julho deste ano, Congonhas só ficará pronto em julho de 2028.

Discurso político, financiamento técnico

Embora o anúncio seja apresentado como uma iniciativa direta do governo federal, o financiamento vem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, presidido por Aloizio Mercadante, aliado histórico de Lula. Ou seja, enquanto o presidente assume o protagonismo político, é o BNDES quem estrutura o crédito, libera os recursos e sustenta o investimento a longo prazo.

Além de Lula, participam do evento o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e a cúpula do banco. No roteiro já conhecido, o governo reforça a narrativa de retomada dos investimentos em infraestrutura, mesmo quando boa parte das ações depende do sistema financeiro estatal — e não diretamente do Orçamento da União.

No fim das contas, a conta fecha assim: o governo anuncia, Lula capitaliza politicamente, e o BNDES paga a fatura. Uma dinâmica antiga, mas sempre reapresentada como novidade a cada novo discurso no Planalto.

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