Lupi sob pressão: CPMI do INSS pode convocá-lo de novo e acareação não está descartada

Lupi sob pressão: CPMI do INSS pode convocá-lo de novo e acareação não está descartada

Ex-ministro da Previdência nega omissão, diz sofrer injustiças e vira alvo central das investigações sobre fraudes bilionárias no INSS

A CPMI do INSS ainda não deu descanso para Carlos Lupi. O ex-ministro da Previdência depôs nesta segunda-feira (8) e deixou em aberto a possibilidade de ser chamado novamente. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que, se houver contradições entre as falas de Lupi e as provas reunidas pela Polícia Federal, ele poderá voltar e até participar de uma acareação com outros nomes citados.

“Quando cruzarmos os depoimentos com os dados da investigação, poderemos convocá-lo de novo. Se houver desencontros, não está descartada uma acareação”, disse Viana após mais de quatro horas de sessão.

Lupi foi o primeiro ex-ministro a prestar esclarecimentos à CPMI, que investiga descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Nos próximos dias, também serão ouvidos ex-dirigentes do INSS e suspeitos apontados como operadores das fraudes, entre eles Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Maurício Camisotti.

Durante sua fala, Lupi rejeitou a acusação de que teria acobertado irregularidades. Disse que só percebeu a dimensão do esquema após a operação da PF e da CGU, e se defendeu afirmando que foi alvo de injustiças. “Sei que tenho falhas, mas nunca agi de má-fé. Já senti a dor da injustiça, mas acredito que o tempo mostrará quem realmente cometeu crimes”, declarou.

Ele também aproveitou para criticar os descontos de empréstimos consignados em benefícios, elogiando o Congresso por barrar cobranças de associações de aposentados e sugerindo que o mesmo seja feito com os consignados.

Apesar da tentativa de defesa, Lupi continua na mira. Sua gestão coincidiu com o período em que os descontos irregulares se multiplicaram. Auditorias internas e externas já haviam apontado problemas nos convênios, mas não houve ação concreta para conter o avanço. Só entre 2021 e 2024, os repasses a entidades cresceram de R$ 544 milhões para R$ 2,1 bilhões. A PF calcula que, ao todo, R$ 6,3 bilhões foram desviados.

O caso levou à sua saída do ministério em maio e também derrubou o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Agora, Lupi precisa não apenas explicar o passado, mas lidar com a possibilidade de voltar ao centro do fogo cruzado da CPMI.

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