Lula aponta “golpe” bilionário, mas empurra a conta para os bancos — e, no fim, para o povo

Lula aponta “golpe” bilionário, mas empurra a conta para os bancos — e, no fim, para o povo

Sem citar Vorcaro, presidente usa discurso indignado sobre o caso Master enquanto terceiriza responsabilidades

Durante um evento oficial em Maceió, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu subir o tom ao comentar o escândalo envolvendo o Banco Master. Sem mencionar diretamente o nome do empresário Daniel Vorcaro, Lula preferiu recorrer à ironia e falou em um “cidadão do Banco Master” que teria aplicado um rombo de R$ 40 bilhões no sistema financeiro. O detalhe é que, segundo o próprio presidente, quem vai pagar essa fatura não é o responsável direto, mas os outros bancos — públicos e privados.

No discurso, Lula tentou vestir o figurino de defensor dos pobres, dizendo que não dá mais para “sacrificar o humilde” enquanto um banqueiro causa um prejuízo bilionário. O problema é que, ao apontar Banco do Brasil, Caixa Econômica e até bancos privados como os responsáveis por absorver o prejuízo, o presidente acaba jogando a conta no colo da sociedade, como sempre acontece.

A fala aconteceu durante uma cerimônia que marcava a entrega de moradias do Minha Casa, Minha Vida e a comemoração da contratação de 2 milhões de unidades do programa. Em meio ao evento, alguém da plateia lembrou que ainda existe quem defenda os administradores do banco. Lula, visivelmente irritado, respondeu dizendo que “falta vergonha na cara” a essas pessoas — numa indignação seletiva que ignora o próprio papel do Estado na fiscalização frouxa e tardia.

O Banco Central já determinou a liquidação do Banco Master, depois que até a tentativa de venda da instituição foi barrada. No Supremo Tribunal Federal, um inquérito apura suspeitas de crimes graves, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, corrupção e associação criminosa.

No fim das contas, Lula fala grosso, aponta o dedo, mas segue a velha cartilha: discurso inflamado, responsabilidade diluída e a certeza de que, direta ou indiretamente, quem paga essa conta não é o “cidadão do banco”, e sim o brasileiro de sempre — aquele que não tem banco, mas nunca escapa do prejuízo.

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