
Lula ataca policiais após maior operação contra o crime no Rio e gera revolta entre agentes
Presidente chama de “desastrosa” a ação que deixou 121 mortos e defende investigação, enquanto forças de segurança afirmam ter cumprido ordens e arriscado a vida em confronto com o crime organizado.
As declarações de Lula sobre a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, caíram como uma ofensa entre policiais e familiares de agentes mortos em serviço. Ao classificar como “desastrosa” a ação que deixou 121 mortos — sendo quatro deles agentes de segurança —, o presidente pareceu ignorar a complexidade de uma guerra travada diariamente nas comunidades dominadas pelo tráfico.
A operação, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, mobilizou 2.500 policiais e resultou na neutralização de diversos criminosos ligados ao Comando Vermelho, segundo a Secretaria de Segurança. Mas, em vez de reconhecer o risco e o esforço das forças de segurança, Lula preferiu o tom de crítica:
“A ordem do juiz era de prisão, não de matança. E houve uma matança.”
A frase, dita em entrevista internacional, soou como um golpe baixo para quem arrisca a própria vida em áreas controladas por facções. Enquanto o presidente fala em “investigação independente”, muitos enxergam na sua postura mais empatia com criminosos do que com os policiais e as vítimas da violência.
O governador Cláudio Castro defendeu a operação, classificando-a como um “sucesso no combate ao crime organizado”, e ressaltou que “todos os que se renderam foram presos”. Já Lula, ecoando pedidos da ONU, cobrou uma apuração que, para muitos, soa como desconfiança injusta sobre quem cumpre o dever de proteger a população.
O contraste entre o discurso presidencial e a realidade das ruas escancarou um abismo: enquanto o governo federal fala em “direitos humanos”, as famílias dos policiais mortos enterram seus filhos e maridos, vítimas da mesma violência que dizem combater.
O episódio acende um debate que o Brasil insiste em evitar — o de um Estado que critica seus próprios agentes enquanto o crime avança impune. Ao chamar de “desastre” o que muitos consideram um ato de coragem, Lula parece mais preocupado com a imagem internacional às vésperas da COP30 do que com a segurança de quem vive e morre nas favelas do Rio.
Mais do que um embate político, a fala do presidente representa um desrespeito àqueles que vestem a farda e enfrentam, dia após dia, um inimigo armado até os dentes. Para quem vive na linha de tiro, a “matança” que Lula menciona tem outro nome: sobrevivência.