Lula bate o martelo e avisa Fachin: Messias é o escolhido

Lula bate o martelo e avisa Fachin: Messias é o escolhido

Enquanto isso, Mendonça entra em campo para tentar suavizar resistências no Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta quinta-feira (20) para o ministro Edson Fachin, atual presidente do STF, para informar pessoalmente que seu indicado à Corte será o advogado-geral da União, Jorge Messias. A decisão foi oficializada no mesmo dia.

Segundo apuração da coluna, a troca de mensagens foi rápida e cordial. Fachin, que está na Costa Rica participando de um evento jurídico, agradeceu o gesto de Lula por comunicá-lo antes do anúncio público — um aceno de respeito institucional em meio às tensões políticas de Brasília.

Mendonça assume o papel de “padrinho” da indicação

Nos bastidores, Messias não estará sozinho na maratona do Senado. Quem prometeu atuar como cabo eleitoral é o ministro André Mendonça, que goza de trânsito entre a ala mais dura do bolsonarismo — justamente onde se concentra a maior resistência ao nome do chefe da AGU.

Mendonça já avisou que vai trabalhar para ajudar Messias a alcançar os 41 votos necessários para vestir a toga. Em sua conta no X, publicou elogios ao colega:

“Parabenizo o ministro Messias pela indicação. É um nome qualificado e que cumpre os requisitos constitucionais.”

E reforçou:

“Messias terá todo o meu apoio no diálogo republicano com os senadores.”

Além da velha conhecida experiência na AGU, Messias e Mendonça têm outro ponto em comum: ambos são evangélicos. Messias integra a Igreja Batista, enquanto Mendonça é pastor da Presbiteriana.

Um Senado que raramente diz ‘não’

Messias chega ao Senado com uma vantagem histórica: a Casa não rejeita uma indicação ao STF feita por um presidente da República desde 1894, no turbulento governo Floriano Peixoto. Ou seja, tradição é o maior aliado do indicado.

Hoje, quatro ministros do Supremo são escolhas de Lula: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Cármen e Toffoli vieram de mandatos anteriores; Dino e Zanin, da atual gestão — mesmo em meio à pressão de movimentos sociais que pediam a indicação de uma mulher.

Entre os atuais integrantes do tribunal, apenas quatro não surgiram de nomeações de Lula ou Dilma: Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

Enquanto o Planalto articula apoios e calibra discursos, a indicação de Messias inicia agora sua fase decisiva — a do Senado, onde elogios, resistências, promessas e acordos geralmente correm nos bastidores de forma muito mais intensa do que no plenário.

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