
Lula corre atrás de votos evangélicos e do centrão às vésperas do Natal
Presidente ignora história e procura alianças convenientes: só agora lembra dos evangélicos e da base do Congresso
Às vésperas do ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu dar uma demonstração tardia de atenção ao eleitorado evangélico e ao centrão, como quem lembra de um detalhe importante no último minuto. Em meio a solenidades no Palácio do Planalto nesta terça-feira (23), Lula assinou decreto que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural nacional — uma jogada que, convenhamos, chega com cheiro de eleição.
Na mesma semana, em um esforço para se reaproximar de setores do União Brasil, Lula empossou Gustavo Feliciano como ministro do Turismo, contando com o aval de Hugo Motta, presidente da Câmara. A intenção é clara: angariar apoio para projetos de governo e, de quebra, pavimentar caminhos para 2026.
O gesto de “acolhimento” ao eleitor evangélico vem depois de anos de desinteresse e resistência de parte dessa base. Agora, com discursos sobre fé, cultura e respeito à espiritualidade, Lula se apresenta como defensor da comunidade que antes parecia ignorar. Entre bênçãos, apresentações de música gospel e palavras de agradecimento à senadora Eliziane Gama por “lembrá-lo” da importância do decreto, o presidente tenta pintar uma imagem de inclusão e valorização cultural — tudo com o olhar atento às urnas do próximo ano.
O centrão, por sua vez, é cortejado com gestos políticos práticos: a nomeação de Feliciano atende diretamente a ala do União Brasil disposta a apoiar o governo mesmo fora do Planalto. Hugo Motta, aliado estratégico, não perdeu tempo em declarar seu entusiasmo pela escolha, reforçando a narrativa de união em torno de interesses mútuos.
O resultado é um espetáculo de conveniências: Lula abraça evangélicos, prestigia aliados do centrão e reforça sua imagem de conciliador. Mas a ironia não escapa: só agora, a poucos meses das eleições, o presidente parece descobrir que existe um eleitorado e uma base política que merecem atenção. Tudo com pompa, cerimônia e música gospel ao fundo — uma lembrança tardia, mas muito bem ensaiada, de que cada voto conta.
Quer se chamar de gesto de justiça ou estratégia eleitoral, o fato é que o Natal de 2025 trouxe a Lula uma oportunidade de reforçar alianças que, por anos, ele fingiu não perceber. E enquanto o país observa, o espetáculo político segue seu roteiro cuidadosamente ensaiado.