Lula corre em defesa de Maduro e ignora o sofrimento do povo venezuelano

Lula corre em defesa de Maduro e ignora o sofrimento do povo venezuelano

Em artigo internacional, presidente brasileiro parece mais preocupado com o ditador aliado do que com milhões de cidadãos em crise

Enquanto a Venezuela afunda em miséria, repressão e êxodo em massa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu mirar suas críticas não no regime autoritário de Nicolás Maduro, mas nos Estados Unidos. Em artigo publicado no New York Times, Lula classificou a ação americana que resultou na captura do ditador venezuelano como “lamentável” e uma “ameaça à estabilidade internacional”.

Na prática, o texto soa menos como uma defesa do direito internacional e mais como um gesto de solidariedade a um velho aliado político. Para Lula, o problema não parece ser a fome, a perseguição política ou a fuga de milhões de venezuelanos, mas sim o fato de Maduro ter sido alcançado fora do jogo diplomático tradicional.

Com um discurso conhecido, o presidente brasileiro voltou a criticar o que chama de “erosão do multilateralismo” e acusou grandes potências de enfraquecerem a ONU. Curiosamente, no entanto, não dedicou o mesmo rigor retórico às reiteradas violações de direitos humanos promovidas pelo regime chavista — essas, ao que tudo indica, seguem fora de sua lista de prioridades.

Lula reconhece, em tese, que líderes podem ser responsabilizados por crimes contra a democracia. Mas logo faz a ressalva que, na prática, funciona como escudo político: segundo ele, nenhum país teria legitimidade para agir de forma unilateral. A pergunta que fica é simples — quem, então, deveria agir quando um ditador se perpetua no poder à custa da miséria do próprio povo?

O presidente também afirmou que ações desse tipo geram instabilidade, prejudicam o comércio e aumentam o fluxo de refugiados. A ironia é que a Venezuela já vive exatamente esse cenário há anos, sob o comando de Maduro, com a conivência política de aliados regionais que preferem discursos ideológicos à realidade humanitária.

Mesmo diante da maior crise migratória da história da América Latina, Lula voltou a defender que o futuro da Venezuela deve ficar “nas mãos de seu povo”, ignorando que eleições livres e oposição real são praticamente inexistentes no país. Ainda assim, garantiu que o Brasil seguirá cooperando com o governo venezuelano — o mesmo governo acusado internacionalmente de fraudes eleitorais, censura e repressão.

Ao final, Lula reafirma que a América Latina não será “subserviente a projetos hegemônicos”, discurso que soa firme no papel, mas seletivo na prática. Afinal, quando se trata de regimes autoritários amigos, a preocupação com democracia, direitos fundamentais e autodeterminação parece convenientemente relativizada.

Para muitos críticos, o artigo deixa claro que, mais uma vez, a prioridade do presidente brasileiro não é o povo venezuelano — mas sim a defesa política de um ditador alinhado ideologicamente, ainda que isso custe credibilidade internacional e ignore o sofrimento de milhões de pessoas.

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