Lula critica possíveis intervenções dos EUA na Venezuela e alerta para risco de guerra na América Latina

Lula critica possíveis intervenções dos EUA na Venezuela e alerta para risco de guerra na América Latina

Presidente defende zona de paz no continente e afirma que ações militares estrangeiras podem gerar mais caos do que solução

Durante uma cerimônia no Palácio do Itamaraty nesta segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo pela paz na América Latina e criticou o que chamou de “intervenções estrangeiras” na região — uma referência indireta às tensões recentes entre os Estados Unidos e a Venezuela.

Sem citar diretamente os dois países, Lula afirmou que o continente vive um momento delicado de “polarização e instabilidade”, e alertou que qualquer incursão militar poderia provocar uma crise regional de grandes proporções. “A América Latina e o Caribe enfrentam um momento de crescente polarização. Manter a região como uma zona de paz é nossa prioridade. Somos um continente sem armas de destruição em massa e sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que os que se pretende evitar”, declarou.

Nos bastidores, o Planalto demonstra preocupação com a possibilidade de uma operação militar dos Estados Unidos contra o regime de Nicolás Maduro. Fontes próximas ao governo afirmam que Lula pretende abordar o tema pessoalmente com o presidente americano, Donald Trump, em um encontro que pode ocorrer nos próximos dias.

A avaliação do governo brasileiro é de que um conflito armado na Venezuela abriria espaço para o avanço do narcotráfico e agravaria a instabilidade na fronteira norte do Brasil.

As tensões aumentaram após uma série de ataques da frota americana a embarcações venezuelanas desde agosto, que deixaram 27 mortos. Apesar de alegar combate a “narcoterroristas”, Washington não apresentou provas concretas. Na última semana, Trump autorizou operações secretas da CIA em território venezuelano e disse estudar ataques terrestres a grupos ligados ao tráfico.

O governo dos EUA sustenta que Maduro lidera o chamado Cartel de los Soles, oferecendo até US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura. Caracas, por outro lado, acusa Washington de tentar promover uma “mudança de regime” para tomar o controle das vastas reservas de petróleo do país.

Em meio à escalada diplomática, Lula tenta posicionar o Brasil como mediador e defensor da estabilidade regional. “A paz na América Latina é um patrimônio que não podemos perder”, afirmou o presidente, em tom de alerta.

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