Lula critica selo de risco dado pela União Europeia ao Brasil e denuncia “atrocidades” em Gaza durante visita de presidente indonésio

Lula critica selo de risco dado pela União Europeia ao Brasil e denuncia “atrocidades” em Gaza durante visita de presidente indonésio

Em encontro com Prabowo Subianto, Lula questiona imposições europeias e reforça defesa do diálogo para conflitos internacionais

Nesta quarta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua insatisfação com a decisão da União Europeia de classificar o Brasil como um país de “risco padrão” em relação ao desmatamento. O líder brasileiro recebeu no Palácio do Planalto o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, que também foi incluído nessa lista europeia, refletindo um desconforto comum entre as duas nações.

Lula destacou que padrões de sustentabilidade devem ser estabelecidos em negociações multilaterais, e não impostos unilateralmente por blocos econômicos poderosos. “Brasil e Indonésia rejeitam classificações arbitrárias que prejudicam o comércio e ampliam as desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”, afirmou o presidente.

A controvérsia envolve a lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que restringe a entrada no mercado europeu de produtos originários de áreas desmatadas após 2020, impactando setores como gado, soja, madeira e café. O governo brasileiro questiona a transparência dos critérios e denuncia o risco de protecionismo disfarçado nas regras.

Além desse tema, os dois presidentes aproveitaram para reforçar a importância da criação do Estado Palestino como caminho para a paz no Oriente Médio. Lula não poupou palavras para condenar as “atrocidades” sofridas pela população palestina em Gaza e criticou a hipocrisia internacional diante dessas violações. Ele também destacou o papel da Indonésia no apoio ao diálogo para a guerra na Ucrânia, elogiando a participação do país no Grupo de Amigos da Paz, iniciativa de Brasil e China.

Prabowo Subianto, ex-general e atual ministro da Defesa da Indonésia, mostrou alinhamento total com Lula nas questões globais, defendendo a necessidade urgente de cessar-fogo tanto na Ucrânia quanto em Gaza, e reforçando o apoio à solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino. Ele também defendeu reformas no Conselho de Segurança da ONU para aumentar a representatividade dos países do Sul Global.

No campo da cooperação bilateral, Subianto pediu a ampliação da troca de conhecimentos em agricultura e defesa, destacando a intenção de acelerar o uso de energia renovável na Indonésia e expandir parcerias em tecnologia militar.

Por fim, os dois países reafirmaram o compromisso com a preservação das florestas tropicais e a criação de um fundo internacional para conservar essas áreas, que será anunciado na COP-30, em Belém. Lula também manifestou apoio à adesão da Indonésia ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, além de mostrar interesse em fortalecer a parceria entre o Mercosul e o arquipélago.

Apesar da visita trazer temas importantes, a morte da publicitária brasileira Juliana Marins na Indonésia não foi discutida na reunião, considerada um assunto já superado pelas autoridades.

Lula planeja uma visita oficial à Indonésia em outubro, quando completará 77 anos, e poderá ser recebido com festa pelo presidente Subianto. O comércio entre Brasil e ASEAN, bloco do qual a Indonésia faz parte, movimenta cerca de US$ 37 bilhões, com o Brasil registrando um superávit significativo, especialmente na exportação de commodities.

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