Lula cutuca a esquerda: “Se a extrema-direita avança, onde foi que nós falhamos?”

Lula cutuca a esquerda: “Se a extrema-direita avança, onde foi que nós falhamos?”

Em encontro na ONU, presidente cobra autocrítica e alerta que a democracia perde espaço quando não há diálogo com o povo

Na manhã desta quarta-feira (24), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conduziu a 2ª edição do evento “Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo”, sediado na Organização das Nações Unidas (ONU). O encontro reuniu representantes de cerca de 30 países, com apoio dos presidentes do Chile, Gabriel Boric, e da Espanha, Pedro Sánchez.

A iniciativa busca consolidar uma frente internacional que reforce a cooperação entre governos diante de ameaças comuns: o enfraquecimento das instituições democráticas, a desinformação que se espalha como rastilho de pólvora, o discurso de ódio que corrói o debate público e a desigualdade social que insiste em se aprofundar.

Essa rede de articulação teve seu pontapé inicial em julho, no Chile, quando Brasil, Espanha, Colômbia e Uruguai lançaram uma declaração conjunta em defesa da democracia.

A cobrança de Lula

Em seu discurso, Lula foi direto: é preciso encarar de frente o crescimento da extrema-direita e reconhecer que a responsabilidade não pode ser jogada apenas no colo dos adversários.

“O que fizemos ontem pela democracia? Quantas pessoas ouvimos? Quantas comunidades organizamos? Se não falamos, não organizamos. E, se não organizamos, a democracia perde”, questionou.

O presidente também pediu que líderes progressistas façam uma autocrítica real.

“O que importa agora é respondermos a nós mesmos: onde foi que a esquerda errou? Em que momento os democratas falharam? Por que deixamos a extrema-direita crescer tanto? Foi mérito deles ou falha nossa?”, provocou.

O tom de Lula deixou claro: a defesa da democracia não se sustenta apenas em discursos de cúpula — ela depende do contato direto com a base, com as pessoas que vivem nos bairros, nas escolas, nos locais de trabalho. Quando esse elo se rompe, o espaço fica aberto para os extremismos ocuparem.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias