
Lula defende parceria com EUA e China para exploração de terras raras no Brasil e cita disputa entre Trump e Xi
Presidente diz que país quer atrair investimentos estrangeiros no setor, mas reforça soberania nacional e defende industrialização dos minerais críticos no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (18) que o Brasil está disposto a firmar parcerias com Estados Unidos, China, Alemanha e “quem quiser” para explorar terras raras e minerais críticos, desde que o país mantenha o controle sobre suas riquezas estratégicas.
A declaração foi feita durante evento em Campinas (SP), na cerimônia de entrega de novas linhas de pesquisa do acelerador de partículas Sirius, usado em estudos avançados sobre materiais e tecnologia.
Disputa global entra no discurso de Lula
Ao comentar o cenário internacional, Lula mencionou a disputa geopolítica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping, sugerindo que o Brasil poderia se beneficiar de uma cooperação entre as potências.
“Se a gente fizer o levantamento rápido, quem sabe o Trump deixa de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para explorar aqui”, disse o presidente.
A fala ocorre em um momento em que Estados Unidos e China disputam influência sobre cadeias produtivas ligadas a tecnologia e energia.
O que são terras raras e por que importam
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de tecnologias modernas, como smartphones, baterias, turbinas e equipamentos militares.
Apesar do nome, não são exatamente raras, mas difíceis de extrair e processar. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, mas ainda depende de outros países para o processamento industrial — etapa dominada pela China.
“Soberania não está em negociação”, diz presidente
Lula reforçou que o Brasil está aberto a investimentos estrangeiros, mas deixou claro que não pretende abrir mão do controle sobre os recursos naturais.
“Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia do governo é diferente do modelo tradicional de exportação de commodities: a ideia é que o país também desenvolva a etapa de industrialização dos minerais, agregando valor dentro do território nacional.
Ciência e tecnologia como peça central
Durante o evento, o presidente destacou o papel da ciência e de instituições de pesquisa no mapeamento do subsolo brasileiro. Ele afirmou que o país conhece apenas parte do seu potencial mineral e defendeu mais investimentos em tecnologia para acelerar esse processo.
“Se depender de cavar buraco, vai demorar muito. A gente precisa da ciência para dar esse salto”, disse Lula.
Debate econômico e estratégico
O governo tem defendido que o Brasil aproveite o momento de disputa global por minerais críticos para atrair investimentos e desenvolver sua cadeia produtiva interna.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o desafio do país não está apenas na exploração, mas principalmente na capacidade de transformar esses recursos em indústria de alta tecnologia — etapa considerada decisiva na disputa global por autonomia energética e tecnológica.