
Lula diz ter tido “ótima reunião” com Trump e promete avanço imediato nas negociações
Presidentes discutem tarifas e sanções; encontro de 50 minutos marca tentativa de reaproximação entre Brasil e EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “ótima” a conversa que teve neste domingo (26) com o ex-presidente americano Donald Trump, durante um encontro em Kuala Lumpur, na Malásia. Segundo Lula, o diálogo foi “franco e construtivo”, com foco na retomada da agenda comercial e econômica entre os dois países.
“Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para buscar soluções sobre as tarifas e as sanções aplicadas a autoridades brasileiras”, escreveu o petista nas redes sociais após a reunião.
O encontro, que durou cerca de 50 minutos, começou às 15h30 no horário local (4h30 da manhã em Brasília) e aconteceu no Centro da Cidade de Kuala Lumpur (KLCC). Foi o primeiro diálogo presencial mais longo entre os dois desde uma breve troca de palavras na Assembleia-Geral da ONU, em setembro.
Reaproximação após tensão diplomática
A reunião ocorre em meio ao aumento de tarifas americanas — que chegaram a 50% sobre exportações brasileiras — e às sanções aplicadas a autoridades do Brasil em decorrência do julgamento de Jair Bolsonaro.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Lula garantiu a Trump que “não há assuntos proibidos” e pediu que o tarifaço fosse suspenso durante as negociações.
A delegação brasileira contou ainda com Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e o diplomata Audo Faleiro, da equipe de Celso Amorim. Do lado americano, participaram o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o representante do Comércio Jamieson Greer.
Na parte inicial da conversa, Lula e Trump falaram rapidamente com jornalistas. Questionado sobre a possibilidade de reduzir as tarifas, Trump desconversou:
— “Vamos discutir isso por um tempo. Sabemos o que cada um quer.”
O ex-presidente americano ainda disse ser “uma honra” encontrar Lula e afirmou acreditar que “bons acordos” podem surgir da aproximação.
Clima diplomático com pitadas de desconforto
Quando perguntado sobre Jair Bolsonaro, Trump comentou que “se sentia mal” pelo que o ex-presidente brasileiro passou, mas não respondeu se o tema seria tratado no encontro. Segundo integrantes da comitiva brasileira, Lula reiterou que o julgamento seguiu o devido processo legal e classificou as sanções ao STF como “injustas”.
Apesar dos temas espinhosos, Lula reforçou que não há motivos para atrito entre os dois países.
— “Não há razão para que existam desavenças entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou.
De bom humor, o presidente ainda brincou com a proximidade do próprio aniversário — ele completa 80 anos nesta segunda-feira (27) — e disse que pretende convidar Trump para comer um “pedacinho de bolo”.
“Ele pode provar um pedaço, sim”, disse Lula, rindo.
Entre sorrisos diplomáticos e farpas veladas, o encontro sinalizou uma tentativa de reaproximação entre Brasília e Washington — ainda que o clima tenha sido mais de teste do que de celebração.