
Lula e Haddad gastam R$ 3,9 milhões em publicidade digital em apenas um mês de campanha
Subtítulo: Presidente e candidato ao governo de São Paulo lideram os gastos com conteúdos patrocinados no Facebook e Instagram. Investimentos somados chegam a R$ 3,9 milhões, enquanto a Meta já recebeu mais de R$ 144 milhões em contratos eleitorais. Os números levantam questionamentos sobre o custo da propaganda política e a utilização dos recursos de campanha.
As eleições de 2026 entram em uma fase marcada pela disputa por visibilidade nas redes sociais, e os números dos investimentos em publicidade digital colocam Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT), no topo dos gastos com impulsionamento de conteúdos nas plataformas da Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram.
No primeiro mês de campanha, os dois candidatos desembolsaram juntos R$ 3,9 milhões para promover publicações nas redes sociais. Lula destinou R$ 2,6 milhões a 21 postagens, enquanto Haddad investiu R$ 1,3 milhão em 17 publicações. Os dados constam dos registros públicos eleitorais.
O montante chama a atenção pelo volume de recursos direcionados à propaganda digital em um período relativamente curto. Em vez de depender exclusivamente do alcance orgânico das publicações, as campanhas contratam anúncios para ampliar a distribuição de vídeos, imagens e mensagens políticas.
Lula lidera os gastos individuais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na primeira posição entre os candidatos que mais investiram em conteúdos patrocinados na Meta durante o período analisado.
Foram R$ 2,6 milhões destinados ao impulsionamento de 21 publicações. O investimento integra a estratégia de comunicação da campanha de reeleição, que busca ampliar o alcance das mensagens presidenciais nas plataformas digitais.
Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, aparece na sequência, com R$ 1,3 milhão aplicado em 17 conteúdos patrocinados.
Somados, os investimentos das duas candidaturas chegam a R$ 3,9 milhões em apenas um mês.
A Meta já recebeu mais de R$ 144 milhões nas eleições
O volume de recursos movimentado pelas campanhas não se limita aos dois candidatos petistas.
A Meta já havia recebido mais de R$ 144 milhões em contratos eleitorais, considerando os dados apresentados no período. O valor supera os R$ 129,7 milhões que a empresa recebeu durante toda a campanha eleitoral de 2022, evidenciando a dimensão financeira que a publicidade digital alcançou no processo eleitoral de 2026.
A empresa aparece como a principal fornecedora de serviços eleitorais em volume financeiro. O impulsionamento de conteúdos políticos se tornou uma das ferramentas utilizadas pelas campanhas para divulgar propostas, defender candidaturas e disputar a atenção dos eleitores.
Outros candidatos também investem milhões
O levantamento inclui outros nomes entre os maiores investidores em publicidade na Meta.
O deputado federal Célio Studart, candidato à reeleição pelo PSD do Ceará, destinou aproximadamente R$ 1 milhão a 16 publicações.
Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e candidato ao governo estadual pelo PSDB, investiu R$ 999 mil em sete conteúdos patrocinados.
Já Sandro Alex, deputado federal e candidato ao governo do Paraná pelo PSD, desembolsou R$ 965 mil para impulsionar 31 publicações.
Os números mostram que a publicidade digital passou a ocupar uma parcela expressiva da estrutura de comunicação de diferentes candidaturas, tanto nas disputas majoritárias quanto nas proporcionais.
A crítica: milhões para impulsionar campanhas enquanto o eleitor cobra resultados
O investimento de R$ 3,9 milhões das campanhas de Lula e Haddad merece ser acompanhado com atenção, especialmente pelo volume de recursos concentrado em apenas 30 dias.
A crítica não está no simples fato de candidatos utilizarem publicidade, uma ferramenta permitida dentro das regras eleitorais. O questionamento está na dimensão dos gastos e na necessidade de transparência sobre a origem dos recursos, os contratos firmados e os resultados efetivamente entregues à população.
Em um país onde tantas famílias enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento, milhões de reais destinados à divulgação política inevitavelmente provocam uma pergunta: quanto custa convencer o eleitor de que uma candidatura merece continuar ou assumir o poder?
A ironia é que, enquanto os candidatos disputam espaço nos celulares dos brasileiros, o cidadão continua esperando respostas sobre os problemas concretos do país. A propaganda pode multiplicar visualizações, curtidas e compartilhamentos, mas não substitui a prestação de contas sobre saúde, educação, segurança, emprego e custo de vida.
No caso de Lula e Haddad, os valores também levantam uma cobrança específica: o eleitor tem o direito de conhecer não apenas as mensagens que recebem patrocínio, mas também quem financia os investimentos e como os gastos são registrados e fiscalizados.
É importante, porém, distinguir publicidade eleitoral de utilização irregular de dinheiro público. Os valores divulgados correspondem a despesas de campanha registradas, e não demonstram, por si só, desvio de recursos ou ilegalidade.
A disputa digital e a responsabilidade com o dinheiro da campanha
O crescimento dos gastos com anúncios evidencia uma transformação na maneira como as campanhas eleitorais buscam alcançar a população.
As redes sociais permitem que candidatos promovam mensagens direcionadas e ampliem o alcance de seus conteúdos. Ao mesmo tempo, a concentração de investimentos em plataformas privadas torna ainda mais importante acompanhar os gastos e compreender como os recursos são empregados.
O eleitor deve poder consultar as despesas declaradas, identificar os fornecedores e comparar os investimentos das candidaturas sem confundir volume de publicidade com qualidade de propostas ou resultados administrativos.
No fim, milhões de reais em anúncios compram espaço e visibilidade — mas não compram automaticamente confiança, credibilidade ou aprovação popular. A responsabilidade dos candidatos é apresentar propostas, esclarecer seus gastos e permitir que a população avalie suas escolhas com informações claras e verificáveis.